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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A Rua da Quitanda

A imagem abaixo é da rua da Quitanda em Diamantina e, segundo registros do autor de sua postagem original, é o primeiro cartão postal colorido da cidade.

Fotos antigas
                                                                             Fonte

Quitanda é uma palavra de origem "quimbundo" (dialeto angolano) e significa venda ou feira. No Brasil foi muito utilizada para identificar os pequenos estabelecimentos comerciais especializados na venda de alimentos e bebidas para o consumo imediato, como frutas, verduras, ovos, bolos, biscoitos caseiros, doces, pães, bebidas. Hoje anda meio em desuso...

Na linguagem popular, não só entre os mineiros, o termo quitanda refere-se também aos doces, bolos e biscoitos feitos em casa. Uma explicação para esse uso está na história. No século XVIII, era muito comum o comércio ambulante de comestíveis realizado pelas ditas "quitandeiras" que eram escravas, forras ou mulheres livres que circulavam com seus tabuleiros pelo entorno dos garimpos de ouro e diamante para vender seus quitutes ou quitandas.

Em 1743, o governo português por intermédio de seus representantes na colonia, entendeu que esse tipo de comércio era prejudicial à mineração, pois essas mulheres vendiam também aguardente e favores sexuais aos trabalhadores das minas, diminuindo o tempo e o esforço gasto na exploração das riquezas.

As autoridades proibiram a circulação das quitandeiras pelas lavras e ruas do distrito diamantino e, como solução delimitaram o comércio de quitandas ao espaço da rua que ficou conhecida então como, rua da Quitanda.

Diamantina

Atualmente a rua é parte do espaço histórico do centro da cidade de Diamantina, com seus imponentes casarões que emprestam suas janelas como palco para os músicos que varias vezes ao ano contemplam o publico com a belíssima Vesperata.

Rua da Quitanda

Com seus bares e lojas de souvenir, o espaço é um dos preferidos pelos turistas e moradores da cidade que aproveitam para conversar e ouvir musica sentados numa das varias mesas e cadeiras espalhadas pelos calçamento de paralelepípedo. Um charme só!

Beco do Mota

Destaca-se no final da rua, que termina num belo largo, o Café "A Baiúca", o ponto preferido da maioria que já conhece a cidade.
rua da quitanda

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Limpador de barro da sola de sapato na igreja matriz de Santo Antonio em Santa Bárbara -MG

matriz da cidade de santa bárbara
limpador de sola de sapato - porta de entrada da igreja matriz  em Santa Bárbara -MG

Aos olhos distraídos dos visitantes, quase sempre inclinados a observar a beleza arquitetônica exterior da igreja, passa despercebido, embora exista e mesmo sendo pouco utilizado em nosso mundo contemporâneo, ele está lá. e "vivinho da silva"...

Falo do limpador de barro da sola de sapato e ... de outras coisinhas que por ventura tornarem o calçado sujo a ponto de estar impróprio para com ele se adentrar no interior da igreja.

Santa Bárbara é uma cidade bem antiga e como tantas outras que surgiram no século XVIII, teve o calçamento inicial somente nas ruas centrais e mesmo assim em fins do século XIX e início do século XX. Isso significa que as pessoas transitavam a maior parte do tempo por ruas de terra e quando essas não estavam empoeiradas, certamente estavam cobertas por lama, daí a utilidade do limpador.

Imagine que a maioria da população naquele tempo era católica e frequentava as cerimonias religiosas mesmo em épocas de chuvas. Chegando na igreja haviam de encontrar um jeito de limpar os calçados. Normalmente raspavam o barro e depois lavavam o calçado numa bica ou chafariz próximo.

Essa regra era geral, porém poucas limpadores originais como esse ainda podem ser encontrados. Eles eram usados também nas entradas das casas e prédios públicos.

Não consegui saber há quanto tempo ele está ali, mas pelos traços artesanais, acredito que deve ser secular. E muito charmoso!

Já falei de Santa Bárbara em outra postagem que você poderá ler clicando AQUI .

E ai, você conhece algum limpador de sola de sapato? Conta pra mim.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Museus, respeito ao patrimônio e acesso à história

casa de Chica da Silva
Foto tirada de uma das sacadas da casa que pertenceu a Chica da Silva (escrava que se tornou amante do contratador de diamantes a serviço da coroa portuguesa, João Fernandes de Oliveira, com quem teve treze filhos) e que hoje abriga um museu e espaço cultural. Em destaque a Serra dos Cristais e  a igreja de Nossa Senhora do Carmo. Note bem que, a torre dessa igreja foi colocada na parte de traseira, em contradição com as regras convencionais que determinam a introdução das torres na parte frontal. Segundo a lenda, foi um pedido de Chica, para que o barulho dos sinos não atrapalhassem o seu sono ...  

A imagem acima, postada nas redes sociais, com certeza despertara muitas curtidas e frases exclamativas por sua beleza. Mostra um belo casario colonial, uma igreja barroca e um espaço natural em forma de serra coberta por vegetação de cerrado. Para quem não identificou à primeira vista, trata-se de um fragmento da área urbana da cidade de Diamantina, na entrada para o Vale do Jequitinhonha, já a caminho para o norte de Minas .

No passado, a cidade que fora batizada pelos colonizadores portugueses com o nome de arraial do Tejuco, abrigou as mais valiosas minas de diamante das quais se tem notícia na história do Brasil. Algumas deram origem aos arraias e distritos do município que até hoje são visitados por aventureiros na cata da pedra reluzente. No livro Minha Vida de Menina, a autora relata sobre o hábito dos moradores  no final século XIX saírem  pelas ruas da cidade após uma forte chuva, na esperança de achar algum diamante trago pela enxurrada.

Cidades antigas como Diamantina são espaços da memória, museus a céu aberto e é visitando museus que se aprende sobre a história e a cultura. Entendo que toda cidade possui a sua história e mantém suas próprias bases culturais, dentro de um contexto maior que é o nacional. Porém, tenho sempre insistido aqui no blog em divulgar o que está à beira da extinção em Minas Gerais, que é o cenário construído nos séculos XVIII e XIX.

Segundo Cristina Ministerio* " (...) ainda tratamos mal a memória cultural do nosso país e os motivos tem suas raízes também na nossa cultura. Raras são as famílias que ensinam suas crianças a respeitara as coisas públicas; raras são as escolas que oferecem a seus alunos uma eficiente educação patrimonial. e as novas gerações seguem cometendo equívocos como: o que é público não é de ninguém, por isso não precisa ser cuidado, ou o que é antigo não serve para mais nada, por isso não precisa ser conservado."

Entender o patrimônio como um bem de interesse público e despertar  uma consciência clara do significado da  identidade cultural e da memória é uma obrigação de todos como cidadãos. Uma boa medida é o incentivo à visitação de museus, espaços públicos nas cidades, galerias de arte, participação em atividades artísticas e festejos tradicionais, dentre outras atividades.

E você, como percebe a necessidade ou não dessa interação? Você é do tipo que sente cheiro de mofo até quando se lembra dos seus professores de  História? Quero muito de saber a sua opinião.

* Editorial da revista AMAE educando, maio de 2009.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Olaria


Quando  criança, lembro-me bem de uma olaria  em ruínas que existia de frente à casa de minha avó, no interior, numa rua empoeirada e com mais mato do que casas ao redor. Eu e meus primos brincávamos lá naquele prédio quase abandonado.

Olaria é o local onde se fabricam tijolos, telhas e manilhas de barro. Eram muito promissoras quando os tijolos de concreto ainda não existiam. Hoje, os pequenos tijolos de barro como esses da foto, são uma raridade...

Essa, eu fotografei numa estrada rural no município de Esmeraldas/MG. Fiz questão de parar  e registrar, pela sua raridade e o estilo rústico da construção!

domingo, 8 de janeiro de 2017

Estrada Real

 Estrada Real - trecho Diamantina- pavimentação com pedras feito por escravos.

 Estrada Real - trecho Diamantina - nos trechos acidentados para evitar deslizamentos e facilitar o escoamento da água de chuva, contruiam  escadas reforçadas com pedras.

Os caminhos do ouro, atual  Estrada Real, foram abertos nos séculos XVII-XVIII para facilitar a circulação das riquezas minerais e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais  e o litoral do Rio de Janeiro, de onde partiam para Portugal os navios carregados de ouro e por onde entravam todos os bens materiais importados pelos ricos mineradores. 

A grande movimentação na estrada fez nascer ao longo do seu percurso inúmeras vilas, povoados e cidades. Atualmente  162 municípios  em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo que compoem o trajeto turístico que nasceu da união de três caminhos surgidos em momentos diferentes.

O Caminho Velho foi aberto pelos  bandeirantes que em busca de riquezas em Minas Gerais, partiam de São Paulo até atingir a Serra da Mantiqueira, hoje  é o trecho mais antigo e liga Paraty a Ouro Preto. 

O Caminho Novo, do Rio de Janeiro a Ouro Preto, foi construído a pedido da Coroa por volta de 1700, não só para encurtar a distância entre Minas e o litoral do Rio, mas principalmente para facilitar a fiscalização do trânsito de riquezas . 

A Rota dos Diamantes, de Ouro Preto a Diamantina, foi construída no século XVIII para atender às necessidades da Coroa de se ter um caminho que possibilitasse um rápido escoamento dos diamantes até a metrópole. É o trecho que mais conserva o aspecto original e as tradições do interior de Minas, já que o progresso pouco andou por lá nas últimas décadas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Sabará: tricentenária igrejinha de Nossa Senhora do Ó

Igreja de N S do Ó.


Informações oficiais sobre a igreja.

Casa no largo da igreja de N S do Ó - antigo conjunto habitacional de trabalhadores da extinta Cia Belgo Mineira.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Restauração da Igreja de São José em Belo Horizonte



Ponto de referencia no centro da capital mineira, a Igreja de São José cuja a pedra fundamental data de 1902, foi erguida no topo de um morro hoje quase despercebido devido ao disfarce na forma de uma bela escadaria que estende do adro principal até o encontro coma avenida Afonso Pena.

Ah, se essa escada falasse! Quantas coisas iria contar? Orações, protestos, Carnaval, abrigo de pedintes e tudo mais que a avenida mãe pode sediar. Quem não tem algo para contar sobre o que viu quando passou pela igreja de São José? Quantos encontros marcados? E os atalhos no quarteirão percorrendo seus jardins? Há mais de cem anos é lugar privilegiado de religiosidade, cultura, manifestações e encontros na cidade de Belo Horizonte. É muita história...

O templo religioso, que hoje é também um monumento turístico, passa por uma reforma. A parte interna está  restaurada, enquanto a parte externa passa por um minucioso trabalho de recuperação da pintura original. Trabalho sem previsão do termino.  

Então, como passei lá pelos jardins da São José, quis registrar aqui o pouco do que vi do trabalho que está sendo feito.

A parte colorida é a pintura original recuperada. Há anos uma pintura de cor única encobria a arte original.

O projeto arquitetônico do templo foi elaborado por Edgard Nascentes Coelho, e as obras foram dirigidas pelo irmão redentorista holandês Gregório Mulders. A Igreja de São José adotou o plano basilical, o interior do templo possui iluminação moderada, proveniente da sequência de vitrais coloridos. Foi construída em estilo neomanuelino e considerada um dos mais notáveis monumentos construídos na capital.
A ornamentação pictórica da igreja foi executada pelo pintor alemão Guilherme Schumacher, entre 1911 e 1912. O forro da nave central, retrata a vida de São José. 


Teto da parte central da igreja,

A matriz tem 60 metros de comprimento e 19 de largura, construída com fortes influências holandesas. A decoração do interior abriga os capitéis das belas colunas no estilo coríntio, o grandioso presbitério e um órgão de tubos fabricado em 1927. 

Aspecto interno com o altar-mor ao fundo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Passeio a Santa Bárbara

Distante  a 126 km de Belo Horizonte, a bucólica e setecentista cidade de Santa Bárbara, com seus 310 anos, impressiona pela calmaria em suas ruas centrais nessa era da informação e comunicação.
dos caminhos que nos levam ao município a partir de Belo Horizonte, elegi a estrada de ferro BH-Vitória.  Por ser período de férias, mesmo viajando por um percurso rápido, a sensação de estar turista por um dia não deixa a desejar.

O acesso por ferrovia dura exatamente 1 hora e 30 minutos sendo  o desembarque  na estação Dois Irmãos  no município de Barão de Cocais. A partida se dá na estação central de BH às 7 horas e 30 minutos e a  chegada às 9 horas. Quem desejar retornar de trem só poderá fazer às 18:horas e 30 minutos, horário de passagem do trem que sai de Vitória às 7 horas. Por isso, meu retorno foi rodoviário, cerca de 2 horas e 30 minutos de viagem a partir da rodoviária de Santa Bárbara.

No percurso chama a atenção o grau de depredação de nossas alterosas em função da exploração mineral ...




A estação dois irmãos é a primeira parada para embarque e desembarque do percurso BH-Vitória, de um total de 30. Não apresenta atrativos  e na infraestrutura destaco apenas o transporte coletivo para alguns referenciais turísticos da região:  Santa Bárbara, Barão de Cocais, Vila Cocais e Serra do Caraça ( a ser combinado com antecedência).

Como o meu objetivo maior nesse passeio era andar no novo trem  de passageiros disponibilizado pela Vale , optei por seguir para Santa Bárbara, considerando a facilidade de lá conseguir transporte fácil para o retorno e também por ser uma das cidades históricas mineiras que eu ainda não havia visitado.

Uma cidade pacata e bucólica, percebi desde que pisei nas calçadas centro comercial e histórico. O movimento de moradores pelas ruas era pequeno, poucos carros circulando, dos mais comuns como táxi, polícia e com som de fank (a tal ostentação) avistei apenas um de cada.  O comércio também funcionava em escala mínima tendo abertos apenas um sacolão hortifrúti, um restaurante, uma padaria e algumas farmácias.

No geral as ruas são limpas e os jardins bem cuidados. Gostei das lixeiras de ferro pesado espalhadas em pontos estratégicos da área central. O que não passa despercebido pelo visitante é o cemitério, por sua localização na avenida de maior concentração comercial e ao lado da rodoviária.
O relevo montanhoso da região não deixou de legar algumas ruas com topografia acidentadas, mas do alto todo o cansaço sede lugar aos olhares admirados com a bela paisagem.

Ladeira do Rosário

Ladeira do Rosário
Meus olhos brilharam ao observar os casarões que restaram da antiga cidade barroca, que um pouco nos revela da história do lugar através de suas riquezas em detalhes na construção, nos despertando a  curiosidade sobre o passado. Suspense que faz-me sentir na obrigação de retornar com mais tempo para observar melhor. Até porque, no domingo que lá estive o casarão que abriga o setor de informações turísticas estava fechado. Vai entender...























Grupo Escolar Afonso Pena
Visitei externamente a igreja de Nossa Senhora do Rosário, situada no alto de um morro, que quando descido termina no adro da igreja matriz de Santo Antônio. 

Igreja de  N S do Rosário
A matriz consegui visitar por dentro e observando as pinturas do teto foi fácil identificar que por ali passaram mãos de um mestre da pintura barroca, o mestre Ataíde e seus discípulos.
Além do belo estado de conservação externo, pude observar na lateral direita do pátio , alguns moradores participando de um leilão de objeto, aves domésticas e gado. Disseram-me que a atividade era parte dos festejos dedicados à comemoração do dia de São Sebastião.

Igreja Matriz de Santo Antônio
O douramento, os ornamentos e cores da nave central, altares e do altar mor são melhor explicados pela riqueza que outrora teve os moradores do lugar e pela admiração de nossos contemporâneos.










Sendo cidade natal de Afonso Pena, político influente do inicio do seculo XX que chegou ao cargo de Presidente do Brasil, nada mais obvio do que a existência de um memorial em sua homenagem no casarão onde morou sua família, com exposição de objetos pessoais, documentos de sua vida pública e os seus restos mortais transladados do Rio de Janeiro para os jardins do memorial em 2010.
Considerando que passei muito rápido pela cidade, não consegui visitar o Memorial Afonso Pena e as informações aqui citadas me foram repassadas pela proprietária do restaurante onde almocei.

O morador da Capital quando adentra cidades do interior sempre busca iguarias locais. Gosto de provar quitandas e biscoitos. Na única padaria aberta que encontrei no centro da cidade, comprei biscoitos de polvilho da roça e conversei sobre o comércio local. A proprietária me contou que antes de ser padaria o estabelecimento havia sido uma fábrica de macarrão que foi levada à falência com a expansão dos produtos da industriá alimentícia vindos do Rio de Janeiro, pois os moradores deixaram de comprar o macarrão ali produzido e passaram a consumir o moderno macarrão carioca ... Percebi uma história de luta pela sobrevivência de pequenos empresários de ascendência italiana, mas não quis levar o assunto adiante por hora.

Sobre a dinâmica dos moradores da cidade me chamou a atenção as janelas abertas voltadas para a rua e sem grades de proteção. Também o bate-papo de idosos nas varandas em casas cercadas por  grade e muro baixo. Não vi pedintes e todas as pessoas com as quais conversei me pareceram muito "boa gente".

Santa Bárbara tem uma periferia composta por trabalhadores das mineradoras e siderúrgicas que exploram minérios no município que praticamente se emenda com a periferia de Barão de Cocais. Pelo que pude investigar, o lazer na região são os banhos nas diversas cachoeiras espalhadas em seu entorno, mas isso é conversa para outra postagem.

Apesar do nome da cidade, o santo padroeiro do lugar é Santo Antônio e não Santa Bárbara. Na região parece que nem existe igreja em louvar à santa. Resta-me pesquisar para entender a razão da escolha para o nome da cidade.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Aleijadinho : pensando em arte, história, barroco ...

“A história da arte não é apenas uma história de obras, mas também de homens. As obras de arte falam de seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo original que eles oferecem à história da cultura.” (Trecho da Carta do Papa João Paulo II aos Artistas – Paulinas – 1999 – pág.8)

O Aleijadinho faleceu na Freguesia de Antonio Dias em 18 de novembro de 1814, também seu local de nascimento. Na tábua que cobre a sua sepultura aos pés do altar de Nossa Senhora da Boa Morte, na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, está escrito: “ Antonio Francisco Lisboa  - O Aleijadinho -   1738 – 1814”.

Delson Gonçalves Ferreira, em seu livro “ O Aleijadinho”, na página 33 da 2ª edição, deixa em aberto a seguinte questão: Quem escreveu e com que provas?
As dúvidas existem porque não há um consenso entre os pesquisadores e as poucas provas documentais que relatam dados sobre a provável data de nascimento do escultor.

O primeiro biógrafo do Aleijadinho foi o professor Rodrigo Bretas. Seus estudos são baseados numa certidão de batismo que apresenta o nome do pai de Antonio Francisco Lisboa como sendo Manuel Francisco da Costa do Bom Sucesso, ao invés de Manuel Francisco da Costa Lisboa. Seria o sobrenome Lisboa referente ao local de onde o pai do mestre havia vindo (ou nascido) e Bom Sucesso ao local onde morava quando o filho Aleijadinho nasceu? Homônimo de pai e mãe?

A segunda suposta data de nascimento vai de encontro ao cálculo que tem por base a citada idade do escultor por ocasião de sua morte, 76 anos conforme certidão de óbito. Para ter essa idade ele teria que ter nascido em 1738. Consideremos aqui a possibilidade de um erro de informação nos registros de datas e idades pelo escrivão.

Há uma descoberta recente feita por um promotor do patrimônio que se especializou nos estudos sobre a vida e obra do artista barroco,  de outro registro de batismo com data de 1737, o qual ele afirma ser o verdadeiro. Alguns historiadores levando em consideração a data de execução da primeira obra de Aleijadinho estimam sua data de nascimento no ano de 1728.

No período colonial  não se dava muito rigor às datas, tanto que a certidão de batismo é que em via de regra determinava a data de nascimento da criança que na verdade confundia-se com a data da obtenção do sacramento. Dificilmente a criança era batizada no dia de seu nascimento. No caso de filhos bastardos e escravos a morosidade devia ser ainda maior, pois dependia da resolução de conflitos familiares e morais.

Numa sociedade escravagista, ser filho de pai  branco, com mãe negra não era coisa rara, mas o preconceito tornava difícil assumir a paternidade. No caso do Aleijadinho o fato de que a sociedade mineradora ocupava-se da busca pelo enriquecimento com a exploração do ouro, deixou que detalhes como a sua alforria e a convivência com o pai português e sua posterior formação familiar  passarem despercebidos  pela censura da sociedade.

Uma contribuição para sua aceitação social foi o seu talento para a arte barroca. Ao provar que sabia fazer o melhor para o momento e tendo o amparo profissional da Igreja Católica, das irmandades religiosas e das congregações dos carmelitas e franciscanos, passa a ser respeitado como profissional e como cidadão, dentro dos limites dos direitos reservados aos bastardos, mestiços e pobres.

A arte reconhecida hoje como patrimônio da humanidade, obra de um gênio que criou um novo estilo da arte barroca  por ele desconhecida, no século XVIII era apenas um trabalho que garantia a sobrevivência do entalhador. O trabalho de escultor, entalhador, projetista, era apenas um ofício comum que como toda profissão tinha especialistas e dentro da normalidade eram contratados por quem os podia pagar.

Como um ser mortal, Aleijadinho envelheceu e adquiriu ou desenvolveu doenças que aos poucos o levaram a óbito. Digo doenças porque não se tem um diagnóstico definido sobre a enfermidade degenerativa que rendeu-lhe o apelido. Após várias exumações, os médicos ainda oscilam entre a hanseníase e a porfiria.


A etapa de vida na qual Antonio Lisboa doente passa a ter que readaptar sua condição física com as atividades profissionais é também um momento no qual a vida política e econômica nas Minas Gerais se torna ainda mais opulenta, devido à decadência da mineração que de certa forma deve ter desestabilizado a demanda de serviços para sua equipe. Sim, equipe. O nosso gênio do barroco mineiro coordenava uma equipe de discípulos escravos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Perdendo a visão de um velho ponto de referência


Sempre passo pela avenida Assis Chateaubriand no bairro Floresta. É uma das minhas preferidas na cidade. Pelo casario antigo que é da primeira metade do século XX, embora uma boa dúzia deles já tenham cedido lugar para enormes arranhas-céu. 
Hoje, passei sem pressa e pude registrar o que desde 2012 ali se instalou como promessa de melhoria para as crianças da região. Mas que se encontra mesmo é enrolado... Falo da obra de construção do anexo da Escola Estadual Barão de Macaúbas, a primeira que existiu no bairro, é de 1922 e seu prédio antigo também está sendo restaurado para entrar em contraste com o resultado dessa gaiola de concreto que pode-se ver na foto.
Além da demora na obra, prevista para ser entregue esse mês (rsrsrsrs), me incomoda muito o estrago visual que ela já está causando. Vejam que por detrás da construção existe uma linda igreja, uma das mais antigas da cidade, que pelo jeito não poderá ser vista por quem passar pela avenida após a conclusão do prédio e de uma quadra coberta.
Perde-se ali a visão de mais um ponto de referencia num espaço que:  dá-lhe histórias para contar... 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Parabéns ao povo serrano! Vocês preservam a cidade viva!

Serro, um tricentenário patrimônio!



Foi o Serro uma das primeiras comarcas da Capitania das Minas e ainda guarda as características das vilas setecentistas mineiras.
Serro é rodeado por serras, rios, morros e cachoeiras. Localiza-se a 230 quilômetros de Belo Horizonte. É também uma importante Cidade do Caminho dos Diamantes e da Estrada Real, uma herança das minas que atraíram os bandeirantes no século XVIII.
O Serro possui um rico patrimônio histórico-cultural e produz o famoso "queijo do serro", uma das mais saborosas variedades do queijo mineiro.
Em  1701 formou-se o "Arraial do Ribeirão das Minas de Santo Antônio do Bom Retiro do Serro do Frio". Em 1714 a povoação é elevada a vila  com o nome de Vila do Príncipe, passando a ser sede da comarca do Serro do Frio.
Elevada à categoria de cidade, com a denominação de Serro, por lei provincial de 6 de março de 1838, Serro continuou a ocupar posição de destaque na região e a cidade ganha também em importância política. Vários de seus filhos foram muito influentes na política , como Teófilo Ottoni, Cristiano Ottoni, João Pinheiro e Pedro Lessa.
O isolamento forçado ajudou na conservação do patrimônio histórico de Serro. O empobrecimento das minas interfere na vida econômica e social do lugar. Em 1817, o naturalista francês Saint-Hilaire visita Vila do Príncipe e descreve sua situação da seguinte forma: "Vila do Príncipe compreende cerca de 700 casas e uma população de 2500 a 3000 indivíduos. Essa vila está edificada sobre a encosta de um morro alongado; e suas casas dispostas em anfiteatro, os jardins que entre elas se vêem, suas igrejas disseminadas formam um conjunto de aspecto muito agradável, visto das elevações próximas. Possui duas estalagens e umas 15 casas de comércio com quase tudo importado da Inglaterra.. Não possuía nenhum chafariz e o abastecimento de água era feito por escravos que traziam barris de água do vale. Não havia estabelecimentos de lazer e a diversão ficava a cargo da caça ao veado, prática comum na região. Encanta a beleza das mulheres, das igrejas e com das festas religiosas que já eram tradição na antiga vila.”
Em 1938, todo seu acervo urbano-paisagístico foi tombado pelo IPHAN,  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ao longo do século XX, o desenvolvimento se dá através da criação de gado, base econômica da cidade - grande parte do leite é usado na fabricação do queijo  - e também da exploração de seu potencial para o turismo cultural e ecológico.
Suas igrejas impressionam pela qualidade da ornamentação e pela pintura em perspectiva nos forros. Ao lado do seu acervo histórico-arquitetônico, representado pelos belos monumentos religiosos e notável conjunto de sobrados, o Serro guarda também outro importante aspecto de sua riqueza cultural do passado: as tradições folclóricas, as festas religiosas e a peculiar gastronomia. O Queijo do Serro, o mais famoso produto da região, foi o primeiro bem registrado como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais (2002).
 Outras postagens aqui no blog sobre a cidade do Serro Aqui  e Aqui



Clique aqui e veja mais fotos antigas do Serro

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

As sacadas na Casa do Barão de Pontal em Mariana

Detalhe da renda esculpida em pedra-sabão.

Como é encantador andar pela rua Direita no centro histórico de Mariana e poder admirar os casarões coloniais que ocupam toda a extensão da via!
No universo de detalhes que compõem a magia estética que enobrece as construções, me chama a atenção as grades das sacadas, que não só enfeitam e facilitam a circulação do ar, mas também facilitam os alhares curiosos de seus moradores para a vida que transita no lugar. Isso por séculos... e séculos!
As sacadas são 99,9% confeccionadas em madeira ou ferro. Mas na rua Direita, no século XVIII, o talvez "exótico"  Barão de Pontal, o português Manuel Inácio de Melo e Souza, decidiu que as grades de suas sacadas seriam feitas em pedra-sabão.
O Barão viveu entre 1771 a 1859, foi presidente da província de Minas Gerais de 1831 a 1833, tendo ocupado também os cargos de juiz-de-fora em Goiás, deputado em MG e senador.

Faixa da casa do Barão de Pontal


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O tacho mineiro


O tacho mineiro é de cobre, mineral que vem sendo trabalhado e utilizado pelo homem desde de 9000 a.C.
Apesar de que em 2007 a Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais proibiu o uso do tacho de cobre na fabricação de doces industriais e caseiros, ele não foi abandonado porquê, é pura tradição!
Em Minas eles estão por toda parte. Os viajantes que estão a caminho de Ouro Preto, ao passarem pelo distrito de Cachoeira do Campo já notam a presença desses famosos tachos de cobre disputando a atenção com as panelas de pedra sabão.
Esse recipiente circular, profundo e com asas firmes são encontrados nas cozinhas dos quatro cantos de Minas desde a época colonial, quando experientes escravas cozinheiras neles preparavam as gostosuras que iriam compor a mesa de seus senhores com doces e frituras. Os tachos são ótimos para frituras.
Na minha mineirisse, afirmo no mineirês: êta trem bão! Raspa de doce no tacho que saiu quentinho do fogão... 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Taquaraçu de Minas

No século XVIII, por volta de 1740, alguns descendentes de bandeirantes paulistas a procura de ouro chegaram no lugar onde hoje está erguida a cidade de Taquaraçu de Minas.
A palavra taquaraçu é de origem indígena e significa taquara grossa ou taquara grande. É o nome usado para identificar uma das várias espécies de bambu que existem na região.
A cidade esteve vinculada ao município de Caeté até 1962, quando foi elevada a categoria de cidade.
Distante há 60 km de Belo Horizonte, é um lugar de pouco movimento, bastante acolhedor e que ainda conserva muito dos costumes rurais.
Sobrevive da agropecuária e do turismo. As águas claras do rio que corta a cidade é ótima para banhos e pesca.




Casa na avenida de frente ao rio, na parte central da cidade. Seria uma habitação comum de área rural se não fosse o meu olhar clínico para essa parede. Observem que nela há quatro etapas da evolução da alvenaria em Minas: pau-a-pique, adobe do século XIX, adobe do século XX e tijolos contemporâneos, excetuando o muro que é de outro tipo de tijolo. Achei muito interessante!!!


Detalhe do pau-a-pique.
Rio  Taquaraçu, no centro da cidade. 
Cristo Redentor, na praça principal.


CASARÕES ANTIGOS ( séculos XVIII e XIX )






Igreja matriz do Santíssimo Sacramento. Essa foto foi copiada do site http://www.taquaracudeminas.mg.gov.br/