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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Mercado do Tropeiros





A partir do descobrimento do ouro o estado de  Minas Gerais foi povoado de forma  rápida e desordenada. Mesmo com toda a riqueza que o ouro pelo menos simbolicamente proporcionava, viver nessas terras distantes do litoral  e sem estradas abertas que ligassem a região aos centros de abastecimento de bens de consumo, sobretudo alimentos, não era fácil.

Em meio ás dificuldades de sobrevivencia muitos foram encontrados mortos com os bolsos cheios de ouro e nem uma espiga de milho no estomago. Surge a figura dos tropeiros. Homens que enfrentavam os obstáculos da topografia montanhosa para trazer mantimentos e toda a sorte de produtos possíveis para abastecer os mineradores.

No século XIX, a fim de organizar melhor o comércio dos tropeiros na cidade de Diamantina, foi construído um mercado , hoje chamado de mercado municipal, mas que na linguagem popular não deixou de ser o mercado dos tropeiros. Lugar onde se fazia o comércio e os tropeiros e suas tropas descansavam e reabasteciam para a viagem de volta.

Atualmente, aos sábados lá é realizado um comércio de produtos da agricultura familiar da região, de artesanato e comidas típicas. Ás sextas o espaço é ocupado por seresteiros e casais que gostam de dançar uma boa música tradicional, tudo regado a comidas tipicas e bebidas.

O prédio é amplo e bem preservado. Do lado externo há uma grande praça com calçamento de paralelepípedo e alguns postes de madeira onde os tropeiros antigos amarravam seus cavalos. 

Afinal, quem nunca visitou ou pelo menos ouviu falar em mercado ou mercados? São tantos e de utilidade variada dependendo da época e lugar. Em comum, a reunião de pessoas em torno daquilo que as deixam felizes. Seja um artesanato, uma comida, um bate papo ...

Os mercados são excelentes centros de preservação da memória das cidades!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

RPPN - Santuário do Caraça - Parte I

Ao fundo a Serra do Caraça, que pelo traçado lembrar um rosto humano, deu nome ao lugar.


A RPPNSC (Reserva Particular do Patrimônio Natural da Serra do Caraça)  tornou-se uma área de preservação federal em 1994 com o apoio da congregação religiosa "Província Brasileira da Congregação da Missão" proprietária e mantenedora das terras, nas quais reservou em torno de 90% dos 12 403 hectares para preservação ambiental, onde é  permitido apenas pesquisas cientificas e visitações turísticas sob regirosa legislação e fiscalização no local.

A reserva é parte do complexo da Serra do Espinhaço, contém fragmentos de Mata Atlântica e é um dos divisores de água da bacia do Rio Doce. 


Trilha em direção da mata de galeria onde se encontra a cascatinha e um mirante.
Em 1770, o Irmão Lourenço de Nossa Senhora, reza a lenda que tenha sido um nobre português, Carlos Mendonça Távora, chegou ao local e ergueu uma capela de madeira e posteriormente uma ermida barroca em homenagem a Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Com o tempo uma majestosa igreja em estilo neogotico foi erguida por seus sucessores e o local se tornou um centro de peregrinações, retiros e  no século XIX passou a abrigar também um colégio interno para meninos, tendo ali funcionado até 1968 quando foi incendiado. 


Ruína do prédio do colégio incendiado em 1968, reformada e trasformada em museu.

Ao terreno original, adquirido pelo Irmão Lourenço mediante pagamento por uma carta de sesmaria, foram incorporados por compra  a fazenda da Chácara em 1823 e a fazenda do engenho em 1858, além da fazenda Capivari doada em 1870 por  Manoel Pedro Cotta.

A vegetação da RPPNSC é constituída basicamente de campos de cerrado e Mata Atlântica. Estudiosos como Saint-Hillarie e Von Martius, descreveram muito do que puderam observar na região quando estavam em expedição científica no Brasil nas décadas iniciais do seculo XIX. Estudos mais recentes nos legaram uma boa quantidade de informações sobre as formações vegetais compreendem em torno de mil espécies, estando oitenta delas caindo em extinção.


Campos de cerrado

Os recursos hídricos na reserva são abundantes, constando maior 
peso na dispersão das águas para o ribeirão do Caraça e o corrego Capivari, seguidos pelos córregos da cascatinha e da cascata que mantém as duas cachoeiras de destaque para o lazer dos turistas: a cascatinha e a cascatona!


Cascatinha


Corrégo da Cascatinha

Sobre a fauna podemos destacar a presença do lobo guará, que virou  uma atração noturna para os visitantes que ali se hospedam. Em determinada hora e local, o lobo, que não é mal ... vem buscar sua refeição cuidadosamente oferecida por um dos padres que ali residem. 

créditos

Além do peludo, há uma enorme variedade de aves e outros animais típicos do cerrado mineiro, como tamanduá, tatu ... e dentre outros, algumas serpentes que são objeto de recomendação para uma atenção redobrada aos que adentram nas trilhas e matas.

O clima é de montanha, com períodos de temperatura amena durante o dia e frio a noite. Como o lugar possui muitos aclives e declives, é recomendado ao visitante que queira se aventurar nas trilhas, um bom preparo físico!

E para finalizar, o santuário religioso e natural do Caraça faz parte do circuito mineiro da Estrada Real. 

Marco da Estrada Real
Espero que tenham gostado. Na próxima postagem vou falar sobre o patrimônio arquitetônico e cultural existente na Serra do Caraça. Aguardem!!!