Logo na rodovia fui surpreendida com os letreiros dos ônibus que passavam piscando alternadamente os dizeres " Parabéns Sabará 301 anos". Eu ainda não tinha me lembrado do aniversário da cidade, mas com certeza lembraria porque a data exata é 17 de julho. O letreiro, as barraquinhas e o grande palco na praça Melo Viana só veio a confirmar que festa sabarense começa antes e termina depois. Um dia vou contar aqui o quanto e como duravam desde o século XVIII...
Hoje falo de uma cidade agitada, cheia de gente e carros por suas ruas estreitas. O dia esteve ensolarado e quente para um inverno entre montanhas, mas confesso que gostei por sentir o corpo mais animado e poder usar bastante energia nos olhares a observar todos os detalhes. Detalhes às vezes tristes como a coloração fétida do rio das Velhas no trecho do bairro de General Carneiro, onde suas águas recebem as águas do ribeirão Arrudas que corta boa parte da cidade de Belo Horizonte e leva consigo muita sujeira de origens variadas.
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| O encontro do rio das Velhas com o ribeirão Arrudas. |
O bastante poluído rio Sabará, que também deságua no rio das Velhas bem na entrada da cidade.
O córrego do Gaia e o Córrego do Pompéu com suas águas a cada dia mais minguadas e contaminadas. É incrível como a sujeira ainda reina nas águas que margeiam os morros povoados. Sim, Sabará cresce em população e edificações morro acima, pois a topografia não reservou ali espaços planos. Seja mansão, prédios ou casebres, no perímetro urbano são sempre construídos morro acima...
Para quem não conhece Sabará, o centro histórico reúne alguns monumentos que por sorte ou capricho de alguns proprietários sobreviveram ao tempo. Muito do que havia no século XVIII, foi demolido ainda no século XIX , quando os jornais locais já noticiavam o descaso dos moradores e do poder público para com as habitações, ruas, quintais, etc.
No compasso da modernidade da nova Capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, inaugurada em 1897, muitas mudanças ocorreram em Sabará e o que é pior, levaram à demolição ou mudanças arquitetônicas nos monumentos, ainda não tombados pelo poder público, coisa que no Brasil somente a partir da década de 1930 é posta em prática e em suaves prestações... Cito como exemplo a demolição da igreja de Santa Rita na rua Dom Pedro II (antiga rua Direita) em 1937, pela prefeitura, para a construção de uma praça, a atual Praça Santa Rita.
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| Foto de destinosabara, igreja de Santa Rita demolida em 1937. |

