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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O tacho mineiro


O tacho mineiro é de cobre, mineral que vem sendo trabalhado e utilizado pelo homem desde de 9000 a.C.
Apesar de que em 2007 a Vigilância Sanitária do Estado de Minas Gerais proibiu o uso do tacho de cobre na fabricação de doces industriais e caseiros, ele não foi abandonado porquê, é pura tradição!
Em Minas eles estão por toda parte. Os viajantes que estão a caminho de Ouro Preto, ao passarem pelo distrito de Cachoeira do Campo já notam a presença desses famosos tachos de cobre disputando a atenção com as panelas de pedra sabão.
Esse recipiente circular, profundo e com asas firmes são encontrados nas cozinhas dos quatro cantos de Minas desde a época colonial, quando experientes escravas cozinheiras neles preparavam as gostosuras que iriam compor a mesa de seus senhores com doces e frituras. Os tachos são ótimos para frituras.
Na minha mineirisse, afirmo no mineirês: êta trem bão! Raspa de doce no tacho que saiu quentinho do fogão... 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

XIV Festa do Café com Biscoito

 
Entre os dias 6 e 9 aconteceu em São Tiago-MG, cidade 40 km distante de São João Del Rey e 200 km  de Belo Horizonte, a já tradicional festa do " Café com Biscoito".
Há muito ouvi falar sobre o evento e esse ano resolvi conferir. 

 

A cidade  é aparentemente tranquila, pequena e tem como uma de suas principais atividades a fabricação e o comércio de biscoitos, daí a necessidade de realização da festa que aos olhos dos turistas é na verdade um grande festival de biscoitos.


O evento é realizado na praça da matriz ( central e principal ) onde são montadas barracas de estrutura rústica com uma decoração regional, simples e aconchegante.


 Nas bancadas das barracas são colocadas cestas  decoradas e cheias de biscoitos para a degustação.
 Em cada cesta um sabor diferente, variando entre doces e salgados. É um espaço para se fartar!!! Sem  vergonha ou culpa pelo pecado da gula.

 

Interessante observar que mesmo passando pelas barracas milhares de degustadores, a mesa está sempre farta e o bom humor dos santiaguenses presente...
  

Realmente é um atrativo que vale a pena conferir. Além da degustação prepararam também uma variedade de atrativos culturais como shows de violeiros, MPB, recital de poesias.
O que não se pode esquecer é de trazer para casa alguns biscoitinhos, difíceis de serem escolhidos entre dezenas de sabores variados. Eu elegi como melhores " flor de doce de leite, amor em pedaços, polvilho sabor cebola e o delicinha de canela".


 Para finalizar, como nem tudo é perfeito, não posso deixar de comentar sobre a necessidade dos organizadores melhorarem a oferta de sanitários, restaurantes e água potável. Pelo fato da festa acontecer em setembro, mês de tempo quente e seco, esses cuidados são extremamente necessários.

domingo, 31 de julho de 2011

Igarapé Bem Temperado


Neste final de semana a cidade de Igarapé, na região metropolitana de Belo Horizonte, realizou o VII  festival gastronômico " Igarapé Bem temperado". Estive lá para conferir e claro, não poderia deixar de registrar aqui, essa agradável manifestação cultural.


Guisados, quitandas e doces que nos remetem ao cotidiano rural mineiro, ao tempo de infância na casa de nossas avós.


O cenário foi a praça da  matriz ... no coração da pequena cidade.



E as atrizes, senhoras bastante conhecidas na comunidade por seus dotes culinários, verdadeiras mãos de fadas a regerem seus fornos de barro, fogões a lenha, panelas, tachos, tabuleiros ...


Essas "mestras da culinária", conseguem transformar ingredientes simples que elas cultivam no quintal de suas casas, em verdadeiros manjares! Receitas repassadas há gerações como prendas domésticas às moças casadouras ...


Desde 2005 o festival vem sendo realizado, resgatando não só a memória da culinária local, mas também novos adeptos à arte de cozinhar. Sim, cozinhar é uma arte! E hoje, uma arte que vem sendo apropriada pelo comércio e pelo turismo, com incentivo da mídia. Daí, por inúmeras vezes essas mulheres simples são solicitadas pelos meios de comunicação a dar receitas e entrevistas.

Assista    http://www.youtube.com/watch?v=iIjzSE6TEY8
Tamanha eficiência leva até alguns famosos chefs a buscarem inspiração nessas sábias receitas do bem temperar.     

Chef  Eduardo Avelar em uma das oficinas no festival.

Ps: As fotos 1, 3 ,4,7 e 8 foram copiadas de  igarape  e as outras foram tiradas por mim.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Comida de Buteco

 
A Imagem acima é da revista apice  e mostra o prato vencedor do concurso "Comida de Buteco" em 2010. É o Garrão ao molho de malzbier, receita do Bar da Lora, no centro da capital mineira.
Em 2011 a temporada de comilança nos butecos para se apreciar todas as receitas que estão concorrendo , começou hoje e vai até o dia 15/05. São 41 bares inscritos e pré-selecionados para o concurso.
Além do sabor da  comida, são avaliados também o desempenho no atendimento aos clientes, a higiene do local e a temperatura da cerveja, que deve ser bem gelada!
O tema escolhido pelos organizadores foi a gastronomia da região norte de Minas Gerais. Para criar as receitas os participantes deverão usar dentre outras coisas: os frutos do pequi, feijão andu, buriti, cagaita e seriguela; a carne de sol e  peixes do rio São Francisco; sementes de coentro, manteiga de garrafa e rapadura. Que desafio gostoso, hein!?
O concurso "Comida de Buteco" iniciou-se no ano 2000 com o objetivo de se escolhecer o melhor tira gosto dos bares de Belo Horizonte, contando com a participação de apenas 10 estabelecimentos. Desde então, cresceu em número de participação dos bares e do público. Já em 2008 a idéia foi levada a outras cidades do interior e até para outros estados.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Romeu e Julieta: amor bem mineiro !

Afinal, quem é o Romeu e quem é a Julieta?

O queijo Minas bem fresco e branquinho e uma boa fatia de goiabada cascão, formam esse romantico casal mineiro que sempre traz a alegria para nossas mesas. 

No distrito de São Bartolomeu,  município de Ouro Preto, na região central de Minas, às margens do Rio das Velhas, desde o período colonial é costume da população  fazer doce de goiabas no tacho de cobre sobre o fogão a lenha. A goiabada cascão do lugar tornou-se muito conhecida e apreciada, recebendo até o  título de  patrimônio imaterial do município.

Fazer a goiabada não é nada fácil. É tarefa demorada, com grande perigo de se  queimar a pele e faz doer os braças de tanto que tem de mexer o doce no tacho. Não é para qualquer um,não!
Colher a goiaba, limpar, separar, lavar, picar, triturar e enfim colocar no tacho junto com açúcar e mexer muuuuuiiiito!
Quer se aventurar? Taí uma bela receita.

Receita de goiabada cascão

Ingredientes


       20 kg de goiabas vermelhas


       15 kg de açúcar cristal.

Preparo:

  1. Colha as goiabas vermelhas maduras.
  2. O tacho de puro cobre, preto de fuligem por fora e vermelho por dentro, deve ser areado com caldo de limão galego ou limão china (limão capeta) maduro, colocando um pouco de sal e passando-se a bucha por dentro dele, deverá ser enxaguado e seco ao sol, ou levado imediatamente ao fogo.
  3. Corte as goiabas ao meio.
  4. Dica: As sementes e a polpa, passadas na peneira de bambu, darão geléia.
  5. Corte a carne das goiabas, com casca e tudo, em lascas, daí o nome “CASCÃO”.
  6. O tacho, na fornalha e bem quente, recebe os 20 quilos de pedaços de goiaba, em minutos derretendo, soltando a água e o cheiro.
  7. Acrescente os 15 quilos de açúcar e nunca coloque água.
  8. E agora é o eterno remexer da grande colher de pau, lentamente, bem leve, só para não grudar.
  9. Estará no Ponto de colher: quando aparecer o fundo do tacho.
  10. Estará no Ponto de cortar: quando começar a fritar.
  11. Tire do fogo e bata a goiabada para ela brilhar.
  12. Despeje ainda quente nas caixetas forradas com papel celofane.
  13. Só mexer nelas no dia seguinte, para então dobrar o celofane.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Biscoito de Polvilho da Roça

Imagem de http://www.almanaqueculinario.com.br/
Aqui em Minas e, acredito que em outros lugares, é comum visitarmos conhecidos no interior e sermos agraciados com uma bela mesa de café recheada de bolos, queijos e principalmente o biscoito de polvilho. Huuuumm! Que delícia !!!
Sabe aqueles biscoitões de polvilho, crocantes por fora e macios por dentro e, em geral, fritos? Pois esse é assado, mais leve, sem perder o sabor e numa receita que não gasta quase nada.

Ingredientes:
600 g de polvilho doce
250 ml de água
100 ml de óleo ou manteiga
1 colher de sobremesa de sal
3 ovos inteiros

Os segredos:

Ferva a água e óleo ou manteiga juntos e escalde o polvilho, acrescentando o sal e misturando com uma colher de pau. Quando amornar, junte os ovos e amasse com as mãos. Com as mãos untadas enrole os biscoitos em forma de palitos. Asse em forno bem quente. Os biscoitos ficam enormes e você não precisa untar a assadeira. Se quiser acrescente erva-doce à massa.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sabores de Minas



No século XIX a cozinha mineira foi bastante elogiada por Richard Burton, um inglês que visitou grande parte do sertão do Brasil e em seus livros " Viagem o Rio de Janeiro a Morro Velho e Viagem de Canoa de Sabará ao Oceano Atlântico" descreveu muito bem a culinária mineira daquela época, nos dando hoje uma sólida noção das origens do cardápio tradicional das famílias mineiras.
Dentre muitos pratos que podem ser degustados na casa de um mineiro de raiz, em dias mais frios e chuvosos, vou destacar aqui o Bambá de Couve. De preparo rápido e fácil, era muito apreciado nas vilas coloniais. Seus ingredientes básicos - naquele momento em que o tempo e o interesse pela agricultura de subsistência era mínimo - podiam ser encontrados facilmente. A couve e o milho do qual se faz o fubá dispensavam maiores cuidados no cultivo e se adaptavam muito bem ao solo. A carne a ser usada geralmente era de porco, animal que se criava sem grandes exigências. Tudo muito prático, porque o tempo ... Ah! O tempo... era destinado ao trabalho intenso na cata dos famosos metais preciosos.   

Receita  de Bambá de Couve

sites.uai.com.br/.../vicosa

100 g de lombo cortado em cubos
alho
óleo
sal
2 colheres de fubá
2 copos de água
couve rasgada a gosto

Refogar o lombo com o alho, o sal e o óleo. Junte o fubá e mexa até dourar. Acrescente a água e continue até engrossar. Deixe cozinhar por 5 minutos. Acrescente a couve e deixe ferver por mais 2 minutos. Retire do fogo e sirva. Se preferir acrescente cheiro verde. 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Ser mineiro é comer um kaol "



Essa é a frase que se lê ao entrar no Café Palhares e observar a placa dependurada na parede. A palavra na verdade é uma sigla: K da cachaça ( no lugar do c ), a de arroz, O de ovo e L de lingüiça.
A sigla foi criada pelo radialista Rômulo Paes para identificar de forma elegante o que não passa na verdade de um P.F muito apreciado pelos fregueses desse estabelecimento gastronômico. Nos anos 40 surgiu essa composição original, que foi alterada nos anos 70 sendo acrescentada a ela couve, farofa e torresmo.
O kaol tornou-se um prato típico de BH e símbolo do Café Palhares inaugurado em 1938 e ainda funcionando no mesmo endereço.
É consumido diariamente por centenas de pessoas que circulam pelo centro e não perdem a chance de parar para degustar essa iguaria, quase sempre antecedida por uma dose de cachaça ou acompanhada por uma cervejinha bem gelada.
É a opção mais famosa no cardápio e rendeu fama ao estabelecimento muito bem freqüentado por artistas, políticos e boêmios em geral.
Atualmente quem não quiser degustar o prato no local, pode levá-lo para casa. Basta escolher o tamanho do marmitex: diz-se boné para o  tamanho pequeno e chapéu para o maior.