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terça-feira, 30 de julho de 2013

Como o mosaico de um artista aprendiz


Aos poucos venho chegando de mansinho. De volta pra esse aconchego, que não abandonei em definitivo, apenas fui forçada a dar um tempo, tempo que é remédio pra tudo. De fato, somente ele conseguiu me segurar, usando as mãos de Deus.
Estive doente. Males que me remeteram a um hospital. Problemas cotidianos subitamente abalaram o meu emocional e o reflexo se deu onde eu nem podia imaginar: a glicose sempre normal foi a 471, e com ela outras complicações. Dentre elas, a perda temporária de grande parte da visão. Sem o perfeito funcionamento da visão, o blog ...

domingo, 23 de setembro de 2012

Meus blogs

Muitos seguidores e visitantes que passam pelos meus blogs me perguntam como consigo manter tantos blogs? A resposta é muito simples: não sei se consigo manter pois, um blog é um diário e eu não escrevo diariamente nos meus. Falta-me tempo suficiente para isso e, só escrevo quando tenho inspiração, vontade de registrar o que para mim tem algum significado. Escrever por obrigação é tortura...
Simplesmente gosto de escrever! Eis a razão de tê-los. Cada um nasceu de uma necessidade específica de me expressar, embora todos mais ou menos numa mesma fase de minha vida.
O primeiro blog que criei tinha o objetivo de registrar, divulgar e denunciar o cotidiano um tanto quanto difícil ligado à minha profissão: aprendiz de professora de História. Lembro-me que estávamos em greve na rede pública e ele se transformou numa espécie de dossiê ou portfólio, sei lá, que foi por motivos vários abandonado por mim.
Nessa mesma época, como estava com muito tempo livre, resolvi criar um blog para falar sobre o cotidiano da região onde moro. Desisti na primeira postagem por receio de retaliações. Essa página ficou um bom tempo abandonada até que resolvi usá-la para divulgar coisas que aprecio, memórias pessoais e meus roteiros por Minas Gerais. 
No início não pensei que teria seguidores, na verdade nem entendia muito bem o funcionamento dos blogs enquanto uma rede social, pois na minha primeira experiência os seguidores eram meus colegas de luta, um grupo bem específico. O tempo mostrou o contrário, me surpreendi com tanta gente interessada nos meus posts sobre "os espaços" de Minas e assim o blog naturalmente foi se moldando como um espaço cultural e eu gosto de mantê-lo dessa forma. Esse é o Blog da Anabela Jardim.


Com tempo sobrando e idéias fervilhando, já um pouco mais experiente resolvi criar o blog Anabela na Casa da Vovó. Primeiro porque sinto muito falta do carinho de minha avó materna. A avó paterna eu conheci sem muita intimidade e muito pouco tenho a contar de nossa convivência. Os avôs, não cheguei a conhecê-los e tudo que sei deles são fatos contados por meus pais e tios.
Em segundo lugar, por acreditar que é uma forma divertida de registrar as vivências do passado. Nele os textos são baseados em fatos reais vivenciados ou contados por alguém da família.
 

No caso do blog Mulheres Prendadas x Mulheres Modernas, a intenção é de interagir com assuntos   contemporaneos do universo feminino. Saindo mesmo do viés inspirado na bagagem acadêmica.
Apenas coisas de mulher. Aquilo que se conta para comadres, amigas, enfim uma pequena porcentagem do meu universo feminino.


 
No O Diário de Anabela, a intenção inicial foi ter um blog teste, mas o blog aos poucos foi sendo descoberto e agora acredito que já não posso mais tê-lo como blog teste. E também, porque eu deveria ter um blog teste se não sou blogueira de profissão? Depois de muito pensar, não cheguei a uma conclusão sobre seu destino, por enquanto vou continuar postando as surpresas, curiosidades e se tiver tempo as indagações que surgem diariamente na minha mente. Quem sabe um dia ele se torne meu o diário de fato.
 


O caso do blog Só Blogagens Coletivas é interessante. Ele nasceu por necessidade. É que sempre recebi muitos convites para participar de blogagens coletivas, cheguei até a fazer algumas no Blog da Anabela Jardim, mas sempre achei que nem todos os assuntos propostos combinavam com a temática do blog e para não fazer feio na blogosfera buscava sempre fazer uma ponte entre os assuntos e Minas Gerais, até que um dia decidi criar um espaço só para as blogagens coletivas para participar e interagirir com pessoas em várias temáticas. Como gosto de escrever o espaço é para mim um local de intretenimento digital.


 Em resumo, essa é a história e os motivos que me levam a manter os meus blogs. Seja você um seguidor ou um visitante, muito obrigada por estar lendo esse depoimento, pela visita e por me seguir!

terça-feira, 31 de julho de 2012

Rumo ao Serro passando por Milho Verde


De  São Gonçalo do Rio das Pedras, seguimos um bom trecho ainda de estrada de terra. A paisagem continuou com os córregos encachoeirados e de água bem cristalina. Os penhascos da serra que no conjunto faz parte da Espinhaço compõem o quadro em sua essência  natural. Faltou-me tintas, pincéis e claro, uma boa tela! Pois nesses lugares não é difícil de se assemelhar ao espirito inspirador de um dos grandes gênios da pintura...
Não demorou muito e chegamos a Milho Verde, famoso distrito do município do Serro. Um lugar bem diferente de tudo que imaginei. A fama bucólica, pitoresca, natural, parece estar se despedindo do lugar, embora a mente dos que ali estavam não conseguissem perceber o estrago que o excesso de turistas está provocando no lugar. Um motorista de taxi me afirmou que aos olhos dos antigos moradores o turismo fez o lugar crescer muito e tornou as coisas mais caras para quem vive ali, sendo que o lucro na maioria das vezes fica com quem veio de fora e montou um comércio ou uma pousada. Está ficando complicado para os nativos viverem na vila.
Na praça da igreja do Rosário, na verdade uma pequena capela, havia um grande movimento de pessoas em torno de uma apresentação de capoeira, muitas crianças passando por uma espécie de recreação e muitos, muitos turistas buscando a natureza do lugar super equipados de utensílios de última geração. No lugar de cavalos e carroças, motos e carros de todos os tipos, aluguel de bicicleta e uma infinidade de coisas que torna até difícil da gente fotografar o ambiente. Por isso tirei poucas fotos de lá. Achei desinteressante mostrar circulação de pessoas e objetos urbanos...
A partir de Milho Verde a estrada já é asfaltada, mas achei um pouco perigosa. Há de se percorrê-la com cuidado devido às curvas e à pouca sinalização, somada ao risco de animais que vez ou outra aparecem na pista. Essa estrada nos leva até a cidade do Serro, que é uma descrição para o próximo post.

Lateral da igreja do Rosário em Milho Verde.

Avanço imobiliário na área central de Milho Verde.

Moradias mais antigas e largo atrás da igreja do rosário, usado para shows.   

Uma curiosidade, o cemitério de Milho Verde parece um jardim de casa do interior, todo coberto por flores singelas.

sábado, 28 de julho de 2012

De Diamantina a São Gonçalo do Rio das Pedras

Um caminho lindo, todo cercado por serras rochosas e cursos d'água, numa estrada de terra cheia de curvas e poeira vermelha.
Do centro de Diamantina seguimos em direção ao bairro da Palha, segundo a tradição oral, o nome do lugar está ligado à existência de uma capela primitiva de pau-a-pique e coberta com
palha feita, pelos primeiros mineradores que ali se instalaram. Posteriormente o lugar foi sede da chácara do contratador dos diamantes, o português João Fernandes de Oliveira, de quem a ex-escrava Chica da Silva foi concubina e teve treze filhos. Contam que para escândalo da sociedade  setecentista, a mulata que vivia no luxo, teve ali realizado o seu sonho de andar de navio. O intendente teria mandado construir um lago e uma embarcação enorme para ela navegar. Na chácara também havia um teatro onde eram apresentadas peças com artistas renomados na ápoca. Hoje nada resta no lugar, a não ser construções recentes e bem simples.
Um pouco distante da Palha, já entrando na área rural atravessamos o Ribeirão do Império, local onde até meados do século XX eram encontrados diamantes.

Ribeirão do Império.

Ribeirão do Império


Seguimos estrada a fora e passamos por um povoado a que chamam de Vau. Na verdade o que vi foi umas poucas casinhas à beira da estrada e um senhor idoso fechando uma cerca de arame. Como não paramos, ficou para mim a imagem de um povoado sem igreja e comércio.
Logo a frente, atravessamos o Rio Jequitinhonha, em sua cabeceira como dizem por lá, embora não muito perto da nascente. A ponte sobre o rio é o marco divisório dos municípios do Serro e Diamantina.


Ponte sobre o rio Jequitinhonha

Rio Jequitinhonha

Rio Jequitinhonha

Depois da ponte a estrada segue numa subida ingrime, com muitas curvas e terra vermelha... Não demorou muito e avistamos o povoado de São Gonçalo do Rio das Pedras, muito pequeno e aconchegante. Um recanto para se descansar, com muitas pousadas e casas para alugar, uns poucos estabelecimentos comerciais e claro, uma igreja em destaque, marcando como sempre a beleza do lugar.
A maioria das ruas são de terra, e as que tem calçamento é do tipo muito antigo, daqueles que abala qualquer rolamento... 
Nos arredores muitos córregos de águas limpas e encachoeirados. Um lugar que não seria mal de se morar !

Bar, mercearia e restaurante em São Gonçalo do Rio das Pedras.

Largo da matriz de São Gonçalo.

Rua em São Gonçalo.
  
Igreja matriz de São Gonçalo.

Durante o percurso passamos por alguns ranchos e um hotel fazenda muito bonito. Não há muita plantação de hortas e frutas, os animais criados parecem ser apenas para o consumo local, ou seja, a agricultura e pecuária não são por ali atividades econômicas importantes, acredito que pelas condições de transporte e principalmente pela qualidade do solo.
Passamos por um planalto onde ainda estão erguidos alguns casebres, a réplica do mercado dos tropeiros e outras partes do cenário utilizado na gravação do seriado "A Cura".
Em São Gonçalo os animais domésticos andam soltos pelas ruas, as roupas lavadas são estendidas nas cercas de arame para secar, as casas ficam com janelas e portas abertas e todos que passam fazem questão de olhar e saudar. Tudo bem caseiro, ainda bastante rural e o visual da paisagem do entorno é deslumbrante.

domingo, 15 de julho de 2012

Parabéns Sabará 301 anos!

Ontem fui a Sabará. Até aqui nenhuma novidade... Mesmo porque tenho passado naquele centro histórico milhares de vezes desde os tempos que ali trabalhei. Acontece que a cada dia tenho um olhar diferente para aquela paisagem que aprendi a admirar. É certo que de monumentos históricos a cidade é bastante órfã se comparada a outras cidades oitocentistas, mas tudo e ali me encanta! tenho um carinho e um respeito enorme pelos seus bens materiais e imateriais, sobretudo pelos laços de amizade e companheirismo que encontrei desde que ainda recém formada tive minha mão-de-obra absorvida para atuar entre profissionais de grande competência no município.
Logo na rodovia fui surpreendida com os letreiros dos ônibus que passavam piscando alternadamente os dizeres " Parabéns Sabará 301 anos". Eu ainda não tinha me lembrado do aniversário da cidade, mas com certeza lembraria porque a data exata é 17 de julho. O letreiro, as barraquinhas e o grande palco na praça Melo Viana só veio a confirmar que festa sabarense começa antes e termina depois. Um dia vou contar aqui o quanto e como duravam desde o século XVIII...   
Hoje falo de uma cidade agitada, cheia de gente e carros por suas ruas estreitas. O dia esteve ensolarado e quente para um inverno entre montanhas, mas confesso que gostei por sentir o corpo mais animado e poder usar bastante energia nos olhares a observar todos os detalhes. Detalhes às vezes tristes como a coloração fétida do rio das Velhas no trecho do bairro de General Carneiro, onde suas águas recebem as águas do ribeirão Arrudas que corta boa parte da cidade de Belo Horizonte e leva consigo muita sujeira de origens variadas. 

O encontro do rio das Velhas com o ribeirão Arrudas.
O bastante poluído rio Sabará, que também deságua no rio das Velhas bem na entrada da cidade.
O córrego do Gaia e o Córrego do Pompéu com suas águas a cada dia mais minguadas e contaminadas. É incrível como a sujeira ainda reina nas águas que margeiam os morros povoados. Sim, Sabará cresce em população e edificações morro acima, pois a topografia não reservou ali espaços planos. Seja mansão, prédios ou casebres, no perímetro urbano são sempre construídos morro acima...
Para quem não conhece Sabará, o centro histórico reúne alguns monumentos que por sorte ou capricho de alguns proprietários sobreviveram ao tempo. Muito do que havia no século XVIII, foi demolido ainda no século XIX , quando os jornais locais já noticiavam o descaso dos moradores e do poder público para com as habitações, ruas, quintais, etc.
No compasso da modernidade da nova Capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, inaugurada em 1897, muitas mudanças ocorreram em Sabará e o que é pior, levaram à demolição ou mudanças arquitetônicas nos  monumentos, ainda não tombados pelo poder público, coisa que no Brasil somente a partir da década de 1930 é posta em prática e em suaves prestações... Cito como exemplo a demolição da igreja de Santa Rita na rua Dom Pedro II (antiga rua Direita) em 1937, pela prefeitura, para a construção de uma praça, a atual Praça Santa Rita. 

Foto de destinosabara, igreja de Santa Rita demolida em 1937.
Parei no centro histórico, saboreei o delicioso pastel da padaria Vila Real, tradição antiga e barata. Tirei algumas fotos e segui rumo ao alvo do dia, o bairro do Pompéu. E para não ficar por demais cansativa essa postagem, eu relato o meu olhar sob o Pompéu no próximo post.

domingo, 24 de julho de 2011

Cheguei na hora, mas perdi o trem!



Trem da Vale rumo a Mariana.
 
Pico do Itacolomi.

É isso mesmo!!! Sexta-feira, férias, tempo bom e temperatura agradável. Levantei-me cedo e segui rumo à Ouro Preto levando comigo uma criança anciosa para fazer a viagem turistica  no Trem da Vale, que parte para Mariana às 10 horas. Tudo muito tranquilo, fora a neblina que atrasa um pouco a viagem nesta época do ano, um passageiro que embarcou no meio do caminho com sacos de laranjas lentamente acomodados no bagageiro do ônibus, dois turistas estrangeiros que falavam  um portunhol a toda altura no celular, um senhor com três crianças querendo ir ao banheiro a cada minuto e um casal de idosos tentando se esconder do vento vindo de uma janela que dois rapazes faziam questão de manter aberta. Enfim, fatos comuns de se presenciar quando embarcamos para uma viagem em transporte público.  
De Belo Horizonte a Ouro Preto são 98 km, o que normalmente se percorre em torno de uma hora e meia, exceto nos meses mais frios porque a neblina torna o percurso perigoso em alguns trechos e neste ano está ainda pior devido ao aumento do número de veículos que buscam ali um desvio rumo ao leste do estado devido aos transtornos causados pela queda da ponte sobre o Rio das Velhas, na rodovia que liga Minas Gerais ao Espirito Santo.
Desembarcamos em Ouro Preto às 9:15. Como já conheço bem a cidade, busquei um atalho até a estação ferroviária, mas atalho não quer dizer moleza ... Os morros e descidas acentuadas não há como se evitar por ali e o jeito foi colocar força na sola do sapato e acelerar.
Ao chegar na estação percebi um grande movimento de carros. Confesso que senti um mal presentimento. Entendo que os desavisados, por não conhecerem as condições do espaço geográfico da cidade, pensam que há facilidade de estacionamento por todos os cantos e assim formam uma confusão ... Em Ouro Preto o melhor é deixar o carro estacionado na entrada da cidade e caminhar para conhecer os monumentos. Mas aquele movimento indicava que a procura pelo passeio naquele horário estava grande...
Dito e feito! Além do movimento externo havia uma enorme fila para a compra de bilhetes para o trem. E nessa hora foi que descobri como é que mineiro consegue perder o trem! Pela primeira vez não consegui comprar o bilhete, e o pior ... Só havia bilhetes para a partida das 15:30. Tudo bem que ficar em Ouro Preto esperando a hora de embarcar no trem não é um castigo, tem muito o que se fazer ali, mas eu tinha planos de registrar tanta coisa em Mariana durante o tempo que teria de esperar para retornar no trem das 14 hs ! Fiquei desapontada. E a criança com carinha de choro...
Daí veio então a arte do improviso. Com uma criança impaciente para viajar pela primeira vez no trem, morros por todos os caminhos que nos levam às relíquias coloniais e cinco horas de tempo livre pela frente, decidi não me estressar. Criança gosta de espaço ao ar livre, por isso optei por passear nas praças, feiras, ruas e lado externo das igrejas setecentistas. Aproveitei para observar as construções que há muito já conheço,  mas que sempre tem algo novo a revelar. E assim o tempo passou. Almoçamos uma comidinha bem mineira e retornamos para a estação ferroviária, desta vez para embarcar no trem. A viagem foi ótima, mas essa eu conto na próxima postagem!


Casario da rua Cláudio Manoel.
 
Praça Tiradentes com o prédio do Museu da Inconfidêcia e o monumento em homenagem ao centenário da morte de Tiradentes.

Fachadas de casario colonial.

Sobrado onde residiu o inconfidente e poeta Tomás Antonio Gonzaga.