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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Encontrando Minas em outras esquinas


Grupo moçambique de dores do Indaiá-MG

Aconteceu, de 8 a 16 de abril, a 103ª Festa de São Benedito em Aparecida -SP. Sempre ouvi falar dessa manifestação religiosa e então, como fã de nossas raízes culturais, resolvi conhecer.
Para minha surpresa, a festa é realizada em SP, mas o espetáculo é mineiro! Dentre os grupos de congado que observei pelas ruas da cidade, a maioria era de cidades do interior de Minas Gerais, inclusive, tinha grupos até da Capital.

Em meio aos congos, a corte, muita criticada por Burton no século XIX.

Não vou afirmar que fui em Aparecida para assistir o que vejo aqui, porque apreciar de uma única vez, muitos grupos, de lugares tão distantes e diferentes do nosso estado, é mesmo uma raridade... Confesso que me surpreendi com alguns,. eles seguem uma mesma linha de organização, mas são ecléticos no estilo e isso torna tudo bem colorido e divertido.



Grupo unidos de N S do Rosário, cidade de Luz-MG.


Para quem não sabe, os congados são grupos folclóricos de origem mistica baseados na cultura africana e portuguesa, com mesclas caboclas. Eles fazem devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. Existem aqui em Minas desde o século XVIII, promovendo anualmente festas em devoção aos santos que tomaram como patronos. Os grupos se reúnem nas diversas localidades onde acontecem a festa, com de rezas, cantorias, danças, muita comida e bebida.

Congada de Santa Efigênia, cidade de Ouro Preto-MG.

O barulho que vem dos pés!!!

O ritmo marcado pelos tambores.

Sempre após a procissão, no último dia de festa, elegem os novos festeiros e como despedida os promotores do ano, distribuem doces. Dizem que os doces simbolizam a fartura!

Elegância e passos bem ensaiados dão um charme especial.


O colorido das fitas é memorável. Cada cor em louvor a um santo. 

Grupo de Sabará-MG
Todas as fotos foram tiradas por mim, nas ruas da cidade de Aparecida-SP, durante o desfile e a procissão dos grupos de congado. Em meio à multidão que assistia ficou difícil registrar todos os grupos.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tapetes coloridos para a procissão da ressurreição em Diamantina

Amanhece.
É domingo da ressurreição. Dia de manhã festiva na cidade ... O turista desavisado, ao sair  pelas ruas, fica admirado, diante de tamanha obra de arte.  



E o tapete colorido vai sendo admirado e fotografado, enquanto indica o caminho para o largo principal da cidade.


No largo da igreja matriz tudo, arrumado para a festa. Festa católica nos rituais, mas pela beleza a todos atrai 


E entrando na igreja, basta subir à sacada do coro, para de lá admirar de novo o cenário. 


O belo medalhão com o Cristo ressuscitado, nascido das mãos abençoadas de um artista, que por trás de tamanha beleza se oculta.


E descendo a rua direita, aos poucos o povo vai chegando.
  

Para acompanhar os tapetes, dos casarões coloniais, esvoaçantes colchas coloridas parecem querer cair das janelas.


E já enfeitada, a igreja quieta, o início da missa espera.


E ao termino das orações, sai o cortejo com o Santíssimo.


A multidão acompanha , por fé no Cristo e admiração ao cenário.


E das janelas enfeitadas, quem já não consegue seguir os passos da multidão, fica olhando a procissão, recordando com saudades o quanto era bonita no passado.

domingo, 18 de março de 2012

Feriado religioso: crença, turismo e outros...

Recebi por email e resolvi compartilhar.


Um feriado de muitas tradições religiosas aqui em Minas Gerais. Um tanto quanto modificado no ritmo das celebrações e principalmente na duração dos "dias de guarda", ou seja, de oração e penitência, pois há décadas atrás o feriado se compunha da 4ª feira santa ao domingo de páscoa, mas atualmente se limita à 6ª feira santa porque o comércio e a indústria não podem parar...
Se procurarmos, hoje não é difícil encontrar bares ( e até outros comércios) que além de abrirem na 6ª feira santa, nem sequer abaixam suas portas quando passam as procissões. Dizem que isso é  "liberdade religiosa", eu prefiro chamar de falta de respeito. Liberdade religiosa é também saber respeitar as tradições e manifestações de crenças diferentes da nossa, não é mesmo?
De qualquer forma, é uma época de grande procura pelas cidades do interior do estado. Quem mora na Capital quer participar das tradições familiares de sua terra natal. Quem não conhece as cidades históricas, quer aproveitar a chance para conhecer os monumentos e as centenárias tradições culturais e religiosas dessas localidades. Enfim, cada um vai ao encontro do seu objeto. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dia de Nossa Senhora da Conceição no Mosteiro de Macaúbas


Interior da capela do Mosteiro de Macaúbas.
Feriado religioso católico, assim podemos definir o dia 8  de dezembro em inúmeras cidades brasileiras. Em Minas Gerais, pela herança religiosa portuguesa, são muitas as localidades que tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição.
 Em todas há algum tipo de solenidade festiva. No Mosteiro de Macaúbas, que já mostrei aqui mosteiro-de-macaubas , houve missa e coroação no interior da capela e procissão pelos jardins do mosteiro. Uma celebração simples e centenária, que atrai um número significativo de fiéis. As freiras não participam junto com o povo, pois vivem enclausuradas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os tapetes de Corpus christi em Sabará

Tapete da rua Dom Pedro II.

Estive em Sabará na solenidade de comemoração do dia de Corpus Christi, registrei um pouco do vi e faço essa postagem para compartilhar com todos que pelo tema se interessarem.

SIMBOLISMO, RELIGIOSIDADE E ARTE.

Assim posso definir o envolvimento que há muitas gerações une todos os anos a população sabarense na noite que antecede o dia de Corpus Christi. Crianças, adultos e idosos preparam à noite os maravilhosos tapetes por onde irá passar na manhã do dia seguinte a procissão com o Santíssimo Sacramento, que em Sabará, uma cidade do século XVIII, conserva ainda boa parte do simbolismo religioso trazido pelos portugueses, não dispensando elegância e beleza na decoração das ruas e das casas por onde passa o cortejo.

Detalhe do tapete na praça Tangará. 
Detalhe da rua Dom Pedro II. 
Tapete de fretente ao prédio da prefeitura.

O ritual completo é composto de uma missa na praça da igreja de N. S. do Rosário onde se reúnem devotos e curiosos em torno do evento. Após a missa, dá-se início à procissão que tem um longo itinerário até a  matriz de N. S. da Conceição, onde há uma benção final e o Santíssimo fica exposto para orações até o final do dia quando com uma outra missa encerram-se as celebrações.  Durante o percurso da procissão há três paradas para bençãos.

Benção final na igreja N S Conceição.

Local da 2ª benção no percurso.

Na procissão vão à frente e enfileirados todos os membros da irmandade do Santíssimo Sacramento   vestidos com uma capa vermelha, seguidos pelos ministros da Eucaristia com roupas brancas e alguns devotos ou membros de outras irmandades. Eles não podem pisar sobre o tapete.
No meio da procissão, antecedidos por duas meninas vestidas de anjo, seguem os padres com o Santíssimo, os guardiãs e a banda tocando durante todo o percurso músicas religiosas tradicionais. A partir desse ponto vem a multidão de fiéis que já tem permissão para pisar no tapete sobre o qual  o Santíssimo passou.

Início da procissão, vista da sacada do sobrado  Padre correia, foto do site do jornal Estado de Minas.
Essa foto tam bém do site do jornal EM, mostra o ponto no qual o povo já pode caminhar sobre o tapete.

É um ritual repetido e respeitado na cidade. Observei durante o percurso a dedicação dos moradores na ornamentação das casas. Janelas enfeitadas com colchas de renda de crochê, toalhas bordadas, flores,  palmas douradas e tudo que pudesse abrilhantar a frente da casa. As cores mais usadas foram o branco e o vermelho. Outro detalhe que me chamou a atenção foi o fato da casa ficar totalmente aberta, como se fosse um convite para a entrada do poder de Deus. Os mais velhos nas janelas com lágrimas nos olhos e os mais novos no passeio da casa esperando a hora de se juntarem à multidão.

Ornamentação na janela do sobrado Padre Correia.

Ornamentação com palmas douradas.

Local da 1ª benção.

É uma tradição católica, mas pelo valor cultural e oportunidade de expressão da arte popular, atrai com certeza observadores de outros segmentos religiosos. Afinal, não é todo dia e nem em qualquer lugar que se pode observar a beleza dos tapetes feitos por mãos humildes e com materiais  tão simples, mas que revelam metros de pura criatividade e beleza. Neste ano os sabarenses usaram serragem, saibro e pó xadrez de cores variadas. As figuras básicas foram flores, cálice, uvas, hóstias, cordeiros e traços geométricos.

Tapete da rua Comendador Viana.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O profano e o sagrado de uma devoção

PARTE II

 

Como parte das tradições, dia de Santo Antonio, é também dia de diversão e descanso em diversas localidades onde graças ao santo fizeram-se um feriado, que independente da crença,  todos desfrutam de bom grado.
Afinal, o religioso e o profano caminham juntos neste nosso país envolto muito mais num misticismo de crenças do que numa rigidez religiosa em si.
Ao chegar num espaço festivo de devoção religiosa, muito perto da igreja, rezas, santos e procissões estão à disposição também uma enorme gama de variedades comercializadas para todos os gostos e necessidades. Se há barracas de velas, imagens e terços, ao lado sempre há quem possa oferecer a venda de ervas e raízes com os quais se fazem chás e garrafadas que na crendice popular ( ou sabedoria?) alivia todos os males, só não servindo mesmo para o mal maior.

Comércio de ervas e raízes. 
Se há os que percorrem trechos descalços ou de joelhos no chão, há também os que permanecem sentados se entregando aos vícios pecaminosos da bebida, da dança e da comilança. Primeiro se reza e depois passa o tempo nas barracas da feira, no parque, nos bares; ou primeiro comete-se o pecado de desfrutar o lado profano para depois rezar e pedir o perdão pelos pecados? Difícil resposta, e mais complicado ainda é achar quem nunca percorreu um dos dois caminhos ...
E o que é o pecado nessas horas? Dúvidas e comportamentos medievais, porque essas tradições festivas são reflexos do mundo medieval presentes no espaço contemporâneo. É assim que percebo o cotidiano daqueles que observo nesses espaços festivos e em Roça Grande não seria diferente. Uma gente humilde, de fervorosa fé, curiosa pelas novidades do extenso comércio ambulante que que se estende pela rua principal, caridosa com os pobres pedintes no pátio externo do santuário, que dá graças  acendendo velas e comprovam a bondade do santo deixando seus ex-votos no salão dos milagres.

Ex-voto pela graça de ter arrumado casamento.

Ex votos de causas variadas.
Muitos devotos se vestem com a túnica igual ao santo e no final do dia depositam na sala dos milagres.
Ex-votos pela cura de enfermidades.
Nesses 300 anos de devoção, a roça de alimentos que deu nome ao lugar já não é mais cultivada, o Rio das Velhas tornou-se poluído e já não é navegável, os morros vão cedendo lugar às habitações, os trilhos foram substituídos pelo asfalto. Muitos se foram, outros chegaram. Até a capelinha passou a dividir os fiéis com um enorme santuário de ares de moderno, mas a devoção e os descritores que em torno dela foram organizados permaneceram ... Se é para o bem da história e manutenção da cultura de um povo: Que viva Santo Antonio!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo Antonio de Roça Grande: 300 anos de história e devoção!

PARTE I
Vista do Rio das Velhas  em Roça Grande

Milhares de pessoas das diversas regiões de Minas Gerais chegam anualmente a Roça Grande, um bairro do município de Sabará às margens do Rio das Velhas e da rodovia MG-5 , para cumprir promessas e agradecer as graças recebidas pela intercessão de Santo Antonio.


Capela de Santo Antonio de Roça Grande.

A devoção ao Santo existe no local desde a chegada dos bandeirantes entre o fim do século XVII e início do século XVIII. Segundo estudiosos, o baiano Matias Cardoso de Albuquerque plantou uma roça para esperar a bandeira de Fernão Dias, o caçador de esmeraldas. Pratica muito comum naquele tempo em que a região era desabitada. Como alguns aventureiros fixaram-se no lugar para explorar o ouro recém descoberto nas proximidades, ali ergueram uma capela em louvor a Santo Antonio de Pádua, devoção herdada dos colonizadores portugueses. Com o tempo o arraial ficou conhecido como Arraial de Santo Antonio do Bom Retiro de Roça Grande ...
Mas foi no início do século XX que o fervor religioso em torno de Santo Antonio de Roça Grande se propagou. De acordo com a tradição oral, um lenhador encontrou uma imagem de Santo Antonio de Pádua sobre uma pedra no alto de um dos morros que circulam Roça Grande. Devido ao valor religioso, a arquidiocese ordenou que ela ficasse em altar no Santuário da cidade de Santa Luzia. Para o espanto de todos a imagem de lá desapareceu, sendo encontrada no dia seguinte em cima da pedra onde fora achada pelo lenhador. Isso teria acontecido sob a vigilância de guardas que disseram não terem visto a imagem ser levada do lugar.

Imagem de Santo Antonio achada pelo lenhador, exposta no interior da Capela.

Na disputa pela posse da imagem o povo de Santa Luzia veio a Roça Grande buscá-la e para a surpresa de todos, a ponte sobre o Rio das Velhas caiu, impedindo a transferencia do Santo.
O fato foi entendido como milagre e a imagem levada para a capela de Roça Grande onde permanece até hoje sob a pedra que os devotos acabaram também levando para lá.
A notícia do milagre se espalhou e até hoje o pequeno povoado recebe milhares de devotos, principalmente durante os dias que antecedem e no que se comemora   o dia de Santo Antonio.


Banner artesanal exposto no interior do Santuário.


CONTINUA  AMANHÃ...  leia também :

http://anabelanacasadavovo.blogspot.com/2011/06/festa-para-santo-antonio.html

domingo, 20 de março de 2011

Festa de São José, em São José do Almeida

São José do Almeida fica há 72 km de Belo Horizonte às margens da rodovia MG-10. É um distrito do município de Jaboticatubas, região habitada desde meados do século XVIII.
Segundo a tradição oral, o Almeida teria sido um dos primeiros moradores do lugar, onde foi construída a pequena igrejinha em devoção a São José, aparentemente centenária.
A festa em devoção ao santo, é uma tradição herdada dos colonizadores portugueses. Acontece anualmente e, é composta pela novena com missa matinal às cinco da manhã,  encerrando-se essa no dia 19/03. A grande festa com procissão, fogos, leilões, bençãos e barraquinhas fica para o primeiro domingo após  o dia do santo (exceto quando esse cai no domingo).
Sendo uma comunidade de agricultores, o domingo é o dia em que todos das localidades vizinhas podem ali estar. Trata-se de uma festividade muito simples, tal como a população local, mas envolvida pela fervorosa crença dos devotos.    
Igrejinha de São José do Almeida.

Interior da igreja.


Devotos em procissão com a imagem São José.

Feira de artigos variados: o lado profano da festa!