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domingo, 13 de novembro de 2016

A montanha, o minério e a curva do trem

Trecho da ferrovia entre Ouro Preto e Mariana em Minas Gerais.

Para nós mineiros, falar em trem é falar de qualquer coisa. O trem aqui não é só a máquina que transita pelas ferrovias. É tudo ... " me dá aquele trem aqui ", " leva esse trem daqui ", " olha aquele trem ali" e assim na linguagem popular vamos nos entendendo até que apareça alguém de fora procurando o tal do "trem".

Os passeios turísticos em ferrovias são comuns aqui na região. Hoje venho destacar aqui o trecho Ouro Preto-Mariana, construído em 1883 e restaurado em 2006 pela companhia Vale do Rio Doce que também faz o gerenciamento das ferrovias e dos passeios, por ser uma das empresas que há décadas exploram minérios em Minas Gerais e, tentando nos fazer acreditar que promovendo esses investimentos culturais de alguma forma nos recompensam pelas perdas no extrativismo mineral.

O passeio de trem tem duração de aproximadamente 40 minutos e o percurso com quatro estações - Ouro Preto, Vitorino Dias, Passagem de Mariana e Mariana - é quase todo em altitudes à beira de ribanceiras, como mostra a foto acima. 

Encravada em meio ao paredão de minério, a ferrovia tem por companhia a vegetação de cerrado. Nessa curva o turista só percebe o abismo depois que o trem por ele já passou... Registrar o medo ou susto é de praxe !!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Namoradeiras

Namoradeiras à venda numa loja de artesanato em Congonhas-MG

Com o avanço do comércio de artesanato nas cidades históricas houve a divulgação das famosas bonecas de gesso ou barro em forma de bustos de mulheres negras e mulatas utilizadas para enfeitar varandas e janelas.

Não existe uma explicação definitiva para a origem de tal costume, antes apenas das cidades do interior, nem a exatidão do seu atual alcance em terras brasileiras.Nas últimas décadas tanto a produção como o consumo tem se tornado um vício no cenário turístico. Se esse costume um dia foi mineiro, hoje já se tornou nacional.

Possuir o busto de uma figura feminina decorando uma janela, balcão ou varanda é hoje um motivo de vaidade, mas nem sempre foi assim. Há algumas décadas, uma mulher enfeitada na janela era visto como a representação da falta de recato. Consideremos que são figuras representativas de uma época na qual as moças de família "não punham o nariz para fora da janela" para arrumar namorados. Suas vestes e enfeites evidenciam esse jeito mais livre de ser.

Segundo Helena Brandão, em seu artigo Janelas da liberdade, "tais peças decorativas guardam o registro de um tempo em que as mulheres dependiam quase exclusivamente desse ambiente para ter contato com a rua [...] as mulheres brancas, pois as negras circulavam pelas ruas, eram consideradas peças e não pessoas, e as índias, selvagens.

Quando surgiram os primeiros núcleos urbanos, as mulheres se inteiravam dos acontecimentos através das frestas das varandas, muitas cobertas de muxarabiê (tipo de treliça). 

Com a saída dos muxarabiês de cena durante o Primeiro Reinado – o que contribuiu para a comercialização do vidro pelos ingleses –, as varandas, e posteriormente as sacadas, passaram a ser não apenas num posto de vigília, mas também de exposição. A mulher passava a poder ser vista.

Nesses poucos momentos, os rapazes aproveitavam para cortejar as moçoilas com a prática do “namoro do bufarinheiro” ou do “namoro do escarrinho”.A socialização promovida pela varanda entre a mulher e os rapazes que passavam na rua rendeu a este espaço a fama de ser um local inapropriado para as donzelas.

Somente a partir da segunda metade do século XX é que a varanda deixa de lado sua “má reputação”." 

Enfim, novos tempos. Novas energias e pensamentos. E não é que essas meninas são lindas!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Passeio a Santa Bárbara

Distante  a 126 km de Belo Horizonte, a bucólica e setecentista cidade de Santa Bárbara, com seus 310 anos, impressiona pela calmaria em suas ruas centrais nessa era da informação e comunicação.
dos caminhos que nos levam ao município a partir de Belo Horizonte, elegi a estrada de ferro BH-Vitória.  Por ser período de férias, mesmo viajando por um percurso rápido, a sensação de estar turista por um dia não deixa a desejar.

O acesso por ferrovia dura exatamente 1 hora e 30 minutos sendo  o desembarque  na estação Dois Irmãos  no município de Barão de Cocais. A partida se dá na estação central de BH às 7 horas e 30 minutos e a  chegada às 9 horas. Quem desejar retornar de trem só poderá fazer às 18:horas e 30 minutos, horário de passagem do trem que sai de Vitória às 7 horas. Por isso, meu retorno foi rodoviário, cerca de 2 horas e 30 minutos de viagem a partir da rodoviária de Santa Bárbara.

No percurso chama a atenção o grau de depredação de nossas alterosas em função da exploração mineral ...




A estação dois irmãos é a primeira parada para embarque e desembarque do percurso BH-Vitória, de um total de 30. Não apresenta atrativos  e na infraestrutura destaco apenas o transporte coletivo para alguns referenciais turísticos da região:  Santa Bárbara, Barão de Cocais, Vila Cocais e Serra do Caraça ( a ser combinado com antecedência).

Como o meu objetivo maior nesse passeio era andar no novo trem  de passageiros disponibilizado pela Vale , optei por seguir para Santa Bárbara, considerando a facilidade de lá conseguir transporte fácil para o retorno e também por ser uma das cidades históricas mineiras que eu ainda não havia visitado.

Uma cidade pacata e bucólica, percebi desde que pisei nas calçadas centro comercial e histórico. O movimento de moradores pelas ruas era pequeno, poucos carros circulando, dos mais comuns como táxi, polícia e com som de fank (a tal ostentação) avistei apenas um de cada.  O comércio também funcionava em escala mínima tendo abertos apenas um sacolão hortifrúti, um restaurante, uma padaria e algumas farmácias.

No geral as ruas são limpas e os jardins bem cuidados. Gostei das lixeiras de ferro pesado espalhadas em pontos estratégicos da área central. O que não passa despercebido pelo visitante é o cemitério, por sua localização na avenida de maior concentração comercial e ao lado da rodoviária.
O relevo montanhoso da região não deixou de legar algumas ruas com topografia acidentadas, mas do alto todo o cansaço sede lugar aos olhares admirados com a bela paisagem.

Ladeira do Rosário

Ladeira do Rosário
Meus olhos brilharam ao observar os casarões que restaram da antiga cidade barroca, que um pouco nos revela da história do lugar através de suas riquezas em detalhes na construção, nos despertando a  curiosidade sobre o passado. Suspense que faz-me sentir na obrigação de retornar com mais tempo para observar melhor. Até porque, no domingo que lá estive o casarão que abriga o setor de informações turísticas estava fechado. Vai entender...























Grupo Escolar Afonso Pena
Visitei externamente a igreja de Nossa Senhora do Rosário, situada no alto de um morro, que quando descido termina no adro da igreja matriz de Santo Antônio. 

Igreja de  N S do Rosário
A matriz consegui visitar por dentro e observando as pinturas do teto foi fácil identificar que por ali passaram mãos de um mestre da pintura barroca, o mestre Ataíde e seus discípulos.
Além do belo estado de conservação externo, pude observar na lateral direita do pátio , alguns moradores participando de um leilão de objeto, aves domésticas e gado. Disseram-me que a atividade era parte dos festejos dedicados à comemoração do dia de São Sebastião.

Igreja Matriz de Santo Antônio
O douramento, os ornamentos e cores da nave central, altares e do altar mor são melhor explicados pela riqueza que outrora teve os moradores do lugar e pela admiração de nossos contemporâneos.










Sendo cidade natal de Afonso Pena, político influente do inicio do seculo XX que chegou ao cargo de Presidente do Brasil, nada mais obvio do que a existência de um memorial em sua homenagem no casarão onde morou sua família, com exposição de objetos pessoais, documentos de sua vida pública e os seus restos mortais transladados do Rio de Janeiro para os jardins do memorial em 2010.
Considerando que passei muito rápido pela cidade, não consegui visitar o Memorial Afonso Pena e as informações aqui citadas me foram repassadas pela proprietária do restaurante onde almocei.

O morador da Capital quando adentra cidades do interior sempre busca iguarias locais. Gosto de provar quitandas e biscoitos. Na única padaria aberta que encontrei no centro da cidade, comprei biscoitos de polvilho da roça e conversei sobre o comércio local. A proprietária me contou que antes de ser padaria o estabelecimento havia sido uma fábrica de macarrão que foi levada à falência com a expansão dos produtos da industriá alimentícia vindos do Rio de Janeiro, pois os moradores deixaram de comprar o macarrão ali produzido e passaram a consumir o moderno macarrão carioca ... Percebi uma história de luta pela sobrevivência de pequenos empresários de ascendência italiana, mas não quis levar o assunto adiante por hora.

Sobre a dinâmica dos moradores da cidade me chamou a atenção as janelas abertas voltadas para a rua e sem grades de proteção. Também o bate-papo de idosos nas varandas em casas cercadas por  grade e muro baixo. Não vi pedintes e todas as pessoas com as quais conversei me pareceram muito "boa gente".

Santa Bárbara tem uma periferia composta por trabalhadores das mineradoras e siderúrgicas que exploram minérios no município que praticamente se emenda com a periferia de Barão de Cocais. Pelo que pude investigar, o lazer na região são os banhos nas diversas cachoeiras espalhadas em seu entorno, mas isso é conversa para outra postagem.

Apesar do nome da cidade, o santo padroeiro do lugar é Santo Antônio e não Santa Bárbara. Na região parece que nem existe igreja em louvar à santa. Resta-me pesquisar para entender a razão da escolha para o nome da cidade.


sábado, 25 de janeiro de 2014

"O tempo passou e me formei em solidão"

Sempre gosto de ler os jornais de distribuição gratuita que circulam mensalmente ou em  outro ritmo de intervalo aqui na região onde moro. São belos ensaios! Aprecio textos, receitas e sugestões diversas. Novidades? Nem sempre eles trazem alguma realmente útil. Busco mesmo são os textos, as crônicas, os colunistas que esbanjam sabedoria...
Hoje, resolvi postar uma crônica daquelas que a gente lê, se identifica, lê de novo, se emociona, e então, recorta e cola num daqueles caderninhos que deixamos guardado no fundo de uma gaveta qualquer para a posteridade. 
A mensagem é simples. E de tão singela, revela a mais pura verdade. A dura realidade de uma sociedade que parece ter se esquecido o valor do calor humano.
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Imagem meramente ilustrativa Daqui   

     Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
   Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
   - Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta o compadre.
    E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Ai chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
    - Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
     A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
   Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma das filhas - e dizia:   
    - Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
     Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Tudo sobre a mesa.
      Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.
     Pra quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
      Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longas, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... Até que sumissem no horizonte da noite.
     O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
     - Vamos marcar uma saída!... - ninguém quer entrar mais.
   Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.  
     Casas trancadas... Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...
      Que saudade do compadre e da comadre!

Texto de José Antônio Oliveira Resende, Professor do Departamento de Letras da UFSJ.
Fonte: ORIENTE-SE, Jornal Informativo da região Leste de Belo Horizonte & Sabará, Ano I - Nº 7 - Outubro de 2013.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Em Minas, coisa é trem ...


"Coisa" palavra-ônibus que virou fenômeno na língua portuguesa. Nascida da linguagem popular, a palavra coisa é usada hoje até em textos científicos, com variados sentidos.
A palavra coisa assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações cotidianas para se exprimir uma ideia.
Em minas Gerais as coisas são chamadas de "trem". Menos o trem, que aqui é chamado de "a coisa". Quando o trem se aproxima da estação é fácil de se ouvir na multidão:
- Pega os trem, que lá vem a coisa!
Por essas e outras,  é preciso saber de algumas coisas:
1º) Colocar cada coisa no devido lugar.
2º) Não ser cheio de coisas.
3º) Gente fina é outra coisa!
4º) Para o pobre a coisa está sempre feia: o salário não dá para coisa nenhuma.
5º) Uma coisa é falar e outra coisa é fazer.
6º) Existem coisas sem pé nem cabeça.
7º) Se você aceita qualquer coisa ...
8º) Bruxaria é coisa feita.
9º) Botar uma coisa na cabeça.
10º) Às vezes a coisa fica preta.
11º) Fazer a coisa certa.
12º) Tem gente que não diz coisa com coisa.
13º) Amar a Deus sobre todas as coisas.
14º) Entender o espirito da coisa.
15º) E se não entendeu, desculpe qualquer coisa!

Adaptado do artigo A "coisa" é uma coisa, publicado na revista Língua Portuguesa, nº 88/2013, PNDE, p. 44 a 47.

sábado, 13 de abril de 2013

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

No meio do caminho nasceu um poeta, há 110 anos



Há 110 anos nascia em Itabira-MG, Carlos Drummond de Andrade. 

Carlos Drummond de Andrade. fonte: www.jb.com.br
 
Quando menino veio estudar em Belo Horizonte, no tradicional Colégio Arnaldo, naquela época, um colégio somente para meninos. Depois passou pelo Colégio dos Jesuítas em Nova Friburgo-RJ e finalmente formou-se em Farmácia, mas sua vocação era mesmo a escrita.
Em em 1925 publicou suas primeiras obras poéticas e a partir daí não parou mais. Foi uma sucessão de poemas, contos e até livros infantis.


Casa onde nasceu Carlos drummond fonte: www.vivaitabira.com.br

Jardim dos fundos da casa onde nasceu Drummond. fonte: www.vivaitabira.com.br

Trabalhou como colaborador no Jornal do Brasil, que aliás, hoje lhe prestou uma homenagem virtual no http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2012/10/31/ha-110-anos-nascia-carlos-drummond-de-andrade-relembre-cronicas-do-jb/

 Em razão da construção da Usina de Itaipu, ele escreveu sobre o salto de Sete quedas.

Fonte: www.jb.com.br

Teve uma única filha, que faleceu primeiro do que o pai. Esse se despediu do público em agosto de 1987.

Dentre seus poemas, gosto muito de "No meio do caminho".

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

E fica aqui, junto à essa singela homenagem ao poeta, deixo minha sugestão: visite http://www.vivaitabira.com.br/   e conheça melhor o Drumond.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

60 anos após a grande viagem de Rosa, o sertão ainda corre risco


 " Árvores sem folhas, terra seca e uma casinha de pau-a-pique. Essa é uma das imagens que surgem em nossa mente quando ouvimos falar em sertão." (Pinheiro, Cunha e Ferraz)
Dentre as outras imagens do sertão, em minha mente surge a poeira vermelha que o vento levanta e faz a vista embaçada enxergar ao longe um vulto branco, em cima de um cavalo que vai seguindo estrada a fora. Lembro do chão muito seco e já quase rachado, dos quintais sem horta, com poucas galinhas e um cachorro malhado com as partes brancas quase  marrom. Dos chapéus de couro ou palha, da pele do sertanejo queimada pelo Sol, da restrição de alimentos e das viçosas flores de mulata enfeitando os arredores das casas...
Já Guimarães Rosa¹, segundo Mônica Meyer em seu Ser-tão Natureza: a natureza em Guimarães Rosa; valorizava o conhecimento, a cultura popular. Aprendeu com os vaqueiros os nomes dos bichos, das plantas, dos rios...
Sessenta anos após a grande viagem do escritor, seus relatos de viagem parecem escritos ontem...
" Afora os bois, eu só via o céu, o Sol e o capinzal. Era um dia tão forte, que a luz no ar mais parecia uma chuva fina, dançava no ar como cristal e umas teias de aranha ou uma fumacinha, que não era. Mas, de pancada, tudo parou : gritaram adiante, e eu vi o fogaréu. Aí era fumaça mesmo, com os labaredos correndo feio, em nossa frente, numa largura enorme, vindo pra nossa banda [...]. Uma porção de bichos, porco-do-mato, todos estavam ali também. Mas a fogueira não tinha sopitado. Era só um tempo, um prazo que o demônio dava para se morrer mais demorado. Porque mesmo longe o fogo zunia. E aqueles bichos todos estavam ali, pedindo socorro a gente."
Nesses dias de intenso calor, pouca umidade e uma corrida desenfreada do homem pela devastação do que resta do cerrado, episódios assim ainda são quase cotidianos. E, o que faria Guimarães Rosa para salvar o que ainda resta do sertão?
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¹Nome: João Guimarães Rosa

   Nascimento: 27/06/1908 , Cordisburgo – MG
   Falecimento: 19/11/1967, Rio de Janeiro - RJ
   Profissão: médico e escritor que inaugurou uma metamorfose no regionalismo  
     brasileiro.
   Principal obra literária: Grande sertão Veredas.
   Uma frase: “ ... agente morre é para provar que viveu.” dita em 16/11/1967

sábado, 14 de janeiro de 2012

De BH para o mundo ...



Ao escrever no http://odiariodeanabelajb.blogspot.com/ lembrei-me desta música e decidi postá-la aqui para que vocês possam matar a saudade, conhecer ou  fazer cara feia !
O Jota Quest além de ser um dos melhores grupos musicais da atualidade brasileira, é belorizontino e faz parte da cultura contemporânea de Minas Gerais desde 1993, ano de sua formação. 
Eu gosto muito das músicas, do ritmo e da simpatia dos rapazes.

sábado, 22 de outubro de 2011

Apenas uma rua

Uma rua em São João Del Rey

Apenas uma rua.
Não sei o seu nome,
mas vejo suas cores,
cantos, encantos e amores.
Nas janelas de treliças,
nos casarões centenários,
nos detalhes que dão vida,
às fachadas decoradas.
Cada placa aqui indica,
coisas além da cobiça,
que das sacadas podem ser vistas.
E no instante do clique,
nenhum rumor, nenhum pavor,
tudo era  só silêncio,
tudo era calmaria e amor!

domingo, 21 de agosto de 2011

Pela estrada a fora, rumo a Teixeiras ...

Numa estrada rural temos a oportunidade de ver raras belezas. É só observar e não esquecer de apertar o clique  da máquina para eternizar esses momentos. Foi pela estrada a fora, lá pelas bandas de Taquaraçu nas divisas com Jaboticatubas, que essas cenas foram registradas ... 

Qued'água limpa e gelada, bem à beira da estrada.


De tudo um pouco ...

Nossa velha conhecida, a palmeira macaúbas, sendo regada por um curso d'água em cascata.

Por baixo do mata burro, corre água bem fresquinha em meio ás lajes de pedra.

Só falta uma casinha branca com varanda, para ver o sol nascer!

Por falta de placas indicativas ninguém fica perdido.
 
Em plena temporada de seca, ela brota e escorre ...

Sinal da presença cristã.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Morre Maria Stella Libânio, uma das guardiãs da memória da tradicional cozinha mineira


Foto do Portal o Tempo
Ontem Minas Gerais perdeu uma pessoa que não conheci pessoalmente, mas que me curvo à sua simpatia e aos vastos conhecimentos que acumulou ao longo de seus 94 anos de existência a cerca da culinária mineira.
Certa vez, assisti a um programa  de televisão no qual o apresentador entrevistou algumas guardiãs da memória da tradicional cozinha mineira e lá estava ela, em casa, muito simpática e pronta a falar de suas receitas e experiências na cozinha.
Dona de uma coleção de cadernos antigos de receitas, algumas anotadas no tempo do império por suas antepassadas avós e bisavós, afirmou conservar todos com muito carinho, mas também usá-los com frequência, apenas adaptando as medidas e ingredientes quando necessário. Lembro-me que fiquei encantada diante da TV. Como vocês já sabem, eu valorizo muito a preservação da memória da cultura
de um povo. É triste a notícia, mas por outro lado uma pessoa que viveu tanto e nos deixou bons frutos  em sua passagem pela vida, merece os nossos aplausos! Que Deus em sua infinita bondade dê paz e conforto à sua alma!
No link abaixo está a notícia veículada ontem no jornal de maior circulação no estado.  


Uma pequena biografia que encontrei no Wikipédia:

Maria Stella Libanio Christo (Belo Horizonte, 1918 - 19 de junho de 2011) foi uma  culinarista e escritora brasileira. Seu primeiro livro, Fogão de Lenha, despertou muito interesse, correspondido pela autora com vários outros, versando, em geral, sobre culinária e, particularmente, a cozinha mineira.
É mãe do escritor e religioso domiciano Frei Beto.
Seus livros publicados:
  • Fogão de lenha
  • Quentes e frios
  • Minas de fogo e fogão
  • Cozinha popular
Foto de Martins fontes editores 

sábado, 4 de junho de 2011

O que é a Estrada Real?



A Estrada Real foi criada pela Coroa portuguesa no século XVII com a intenção de fiscalizar a circulação das riquezas e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais - ouro e diamante - e o litoral do Rio de Janeiro - capital da colônia por onde saíam os navios para Portugal.
A grande movimentação e importância da Estrada Real fizeram nascer ao longo dos seus 1.200 km, inúmeras vilas, povoados e cidades.
Atualmente a Estrada Real é formada por 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo.
Nasceu da união de três caminhos surgidos em momentos diferentes:
1- O Caminho Velho, trecho mais antigo de todo o trajeto. liga Paraty a Ouro Preto, nasceu por volta do século XVII, fruto das andanças bandeirantes que em busca de riquezas em Minas Gerais, partiam de São Paulo até atingir a Serra da Mantiqueira.
2- O Caminho Novo, ligando o Rio de Janeiro a Ouro Preto. O trecho foi construído a pedido da Coroa por volta de 1700 para encurtar a distância entre Minas e o litoral do Rio e aumentar a fiscalização do trânsito de riquezas.
3- A Rota dos Diamantes, de Ouro Preto a Diamantina, construída no século XVIII para atender às necessidades da Coroa de se ter um caminho que possibilitasse um rápido escoamento dos diamantes até a metrópole.
A Rota dos Diamantes é o trecho que mais conserva o aspecto, o sabor e as tradições do interior de Minas, já que o progresso pouco andou por lá.

Leia mais em: brasilviagem


Trecho original da Estrada Real em Diamantina.

Aspecto do calçamento restaurado na Estrada Real em Diamantina. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Oh! Minas Gerais!

Oi gente querida! Sei que ando sumida, mil desculpas! Estarei  muito atarefada até o início de maio, mas não me esqueço de vocês e até faço algumas visitinhas vez ou outra, só não dá tempo de deixar comentários.
Estou deixando aqui esse vídeo que achei por um acaso na net enquanto procurava um vídeo para a escola. Eu achei muito interessante, se não pela música, pelas imagens. Abraços a todos e não me abandonem, pois em breve voltarei.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Comida de Buteco

 
A Imagem acima é da revista apice  e mostra o prato vencedor do concurso "Comida de Buteco" em 2010. É o Garrão ao molho de malzbier, receita do Bar da Lora, no centro da capital mineira.
Em 2011 a temporada de comilança nos butecos para se apreciar todas as receitas que estão concorrendo , começou hoje e vai até o dia 15/05. São 41 bares inscritos e pré-selecionados para o concurso.
Além do sabor da  comida, são avaliados também o desempenho no atendimento aos clientes, a higiene do local e a temperatura da cerveja, que deve ser bem gelada!
O tema escolhido pelos organizadores foi a gastronomia da região norte de Minas Gerais. Para criar as receitas os participantes deverão usar dentre outras coisas: os frutos do pequi, feijão andu, buriti, cagaita e seriguela; a carne de sol e  peixes do rio São Francisco; sementes de coentro, manteiga de garrafa e rapadura. Que desafio gostoso, hein!?
O concurso "Comida de Buteco" iniciou-se no ano 2000 com o objetivo de se escolhecer o melhor tira gosto dos bares de Belo Horizonte, contando com a participação de apenas 10 estabelecimentos. Desde então, cresceu em número de participação dos bares e do público. Já em 2008 a idéia foi levada a outras cidades do interior e até para outros estados.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cientistas Mineiros - Parte II

Conforme prometido, hoje vou postar parte dos banners com informações sobre alguns dos homens mineiros que se deslancharam no campo da ciência, nos presenteando com um vasto legado cultural.


Espero que tenham gostado!