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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Tem na casa de mineiro

Desde os tempos coloniais eles estão entre nós. Os primeiros vieram com os bandeirantes e eram usados para as orações diárias e no improviso de altares. 
A tradição portuguesa de se ter oratórios nas salas e quartos criou raízes aqui em Minas e é muito forte até hoje, embora boa parte da população já não seja Católica.
Em todas as cidades que possuem museus, é quase certo de se encontrar algum como relíquia ali exposto. Temos até museus especializados em oratórios, como é o caso do Museu do Oratório, em Ouro Preto.   



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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Como se obrava em Minas Gerais no século XVIII?

Dizem que Luís XVI, da França, despachava sentado em cadeira íntima no formato de trono, então imaginem quantos segredos foram confabulados nesse ...

Para quem pensa que as antigas e quase extintas "casinhas" que ficavam no fundo dos quintais e eram construídas por cima de uma fossa, foram as instalações sanitárias mais usadas pela nobreza européia no Brasil colônia, eis aqui uma amostra do luxo que se encontrava nas mansões mineiras entre os séculos XVIII e XIX.
O sanitário da imagem encontra-se na Casa dos Contos em Ouro Preto, local onde morava o enviado do rei de Portugal para arrecadar os impostos reias. Portanto, trata-se de um sanitário de luxo, feito de pedra sabão, num canto da sala cujo o piso também é o teto da senzala por onde os dejetos tinham vazão se escoando pelo córrego que passa ao lado da casa.  
Observem que o sanitário tem lugar para duas pessoas, digo, dois homens, pois as mulheres usavam os penicos e cadeiras higiênicas que ficavam nos quartos. Gente, isso era para os ricos, os pobre se viravam como a natureza permitisse. Para limpar, os ricos usavam toalhinhas de cambraia, lavadas e engomadas pelas escravas. Os pobres e a classe intermediária usavam o sabugo de milho. Se quisessem suavidade tinham que cozinhar o sabugo antes de usá-lo.
Em dias de festa e nos lugares mais públicos, como por exemplo, no palácio imperial ou na casa de um nobre barão ... haviam algumas cadeiras higiênicas espalhadas por detrás das cortinas e em caso de emergência podiam ser usadas pelas mulheres também.
Em reuniões importantes, o ritual era o seguinte: a pessoa necessitada se dirigia ao anfitrião e ele anunciava a todos que o sujeito iria se ausentar por alguns minutos para ... obrar! É pouco ou querem mais!?

O formato do assento foi projetado para a anatomia do corpo masculino.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Romeu e Julieta: amor bem mineiro !

Afinal, quem é o Romeu e quem é a Julieta?

O queijo Minas bem fresco e branquinho e uma boa fatia de goiabada cascão, formam esse romantico casal mineiro que sempre traz a alegria para nossas mesas. 

No distrito de São Bartolomeu,  município de Ouro Preto, na região central de Minas, às margens do Rio das Velhas, desde o período colonial é costume da população  fazer doce de goiabas no tacho de cobre sobre o fogão a lenha. A goiabada cascão do lugar tornou-se muito conhecida e apreciada, recebendo até o  título de  patrimônio imaterial do município.

Fazer a goiabada não é nada fácil. É tarefa demorada, com grande perigo de se  queimar a pele e faz doer os braças de tanto que tem de mexer o doce no tacho. Não é para qualquer um,não!
Colher a goiaba, limpar, separar, lavar, picar, triturar e enfim colocar no tacho junto com açúcar e mexer muuuuuiiiito!
Quer se aventurar? Taí uma bela receita.

Receita de goiabada cascão

Ingredientes


       20 kg de goiabas vermelhas


       15 kg de açúcar cristal.

Preparo:

  1. Colha as goiabas vermelhas maduras.
  2. O tacho de puro cobre, preto de fuligem por fora e vermelho por dentro, deve ser areado com caldo de limão galego ou limão china (limão capeta) maduro, colocando um pouco de sal e passando-se a bucha por dentro dele, deverá ser enxaguado e seco ao sol, ou levado imediatamente ao fogo.
  3. Corte as goiabas ao meio.
  4. Dica: As sementes e a polpa, passadas na peneira de bambu, darão geléia.
  5. Corte a carne das goiabas, com casca e tudo, em lascas, daí o nome “CASCÃO”.
  6. O tacho, na fornalha e bem quente, recebe os 20 quilos de pedaços de goiaba, em minutos derretendo, soltando a água e o cheiro.
  7. Acrescente os 15 quilos de açúcar e nunca coloque água.
  8. E agora é o eterno remexer da grande colher de pau, lentamente, bem leve, só para não grudar.
  9. Estará no Ponto de colher: quando aparecer o fundo do tacho.
  10. Estará no Ponto de cortar: quando começar a fritar.
  11. Tire do fogo e bata a goiabada para ela brilhar.
  12. Despeje ainda quente nas caixetas forradas com papel celofane.
  13. Só mexer nelas no dia seguinte, para então dobrar o celofane.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tempo de visitar presépios: as pastorinhas

Grupo de pastorinhas em Ouro Preto, foto http://opretominhaterra.blogspot.com/
Visitar presépios ainda faz parte da tradição que herdamos dos antepassados portugueses. Tradicionalmente a visita  quase sempre segue acompanhada dos autos de Natal. Aqui em Minas temos duas manifestações marcantes nesse período, sendo mais constantes interior. São o canto da pastorinhas e o reisado, conhecido também como folia de reis ou terno de reis.
As pastorinhas são grupos de meninas e ou adolescentes que se vestem de camponesas com roupas bem coloridas, algumas se vestem de anjo e carregam a bandeira do grupo. São lideradas por uma mestra e saem pelas ruas cantando a caminho das casas que abrem seus presépios para a visitação. Diante do presépio elas cantam, rezam e dançam. Após a apresentação quase sempre recebem como prenda as famosas amêndoas carameladas. E assim vão visitando todos os presépios possíveis entre os dias 25/12 e 06/01.


Pastorinhas em Senhora da Glória, http://www.cbhvelhas.org/
Pastorinhas do Mucambo, Baldim, http://baldimumdocedecidade.blogspot.com/

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sabores de Minas



No século XIX a cozinha mineira foi bastante elogiada por Richard Burton, um inglês que visitou grande parte do sertão do Brasil e em seus livros " Viagem o Rio de Janeiro a Morro Velho e Viagem de Canoa de Sabará ao Oceano Atlântico" descreveu muito bem a culinária mineira daquela época, nos dando hoje uma sólida noção das origens do cardápio tradicional das famílias mineiras.
Dentre muitos pratos que podem ser degustados na casa de um mineiro de raiz, em dias mais frios e chuvosos, vou destacar aqui o Bambá de Couve. De preparo rápido e fácil, era muito apreciado nas vilas coloniais. Seus ingredientes básicos - naquele momento em que o tempo e o interesse pela agricultura de subsistência era mínimo - podiam ser encontrados facilmente. A couve e o milho do qual se faz o fubá dispensavam maiores cuidados no cultivo e se adaptavam muito bem ao solo. A carne a ser usada geralmente era de porco, animal que se criava sem grandes exigências. Tudo muito prático, porque o tempo ... Ah! O tempo... era destinado ao trabalho intenso na cata dos famosos metais preciosos.   

Receita  de Bambá de Couve

sites.uai.com.br/.../vicosa

100 g de lombo cortado em cubos
alho
óleo
sal
2 colheres de fubá
2 copos de água
couve rasgada a gosto

Refogar o lombo com o alho, o sal e o óleo. Junte o fubá e mexa até dourar. Acrescente a água e continue até engrossar. Deixe cozinhar por 5 minutos. Acrescente a couve e deixe ferver por mais 2 minutos. Retire do fogo e sirva. Se preferir acrescente cheiro verde. 

domingo, 26 de setembro de 2010

Cafezinho com pão de queijo ... huuuuuum!!!


Uma das coisas boas de se fazer num domingo a tarde aqui em Minas, é visitar amigos e parentes para colocar a conversa em dia. Visitar ou receber visitas. Não importa onde seja o encontro, se foi marcado ou de improviso. O valor está no fato de podermos desfrutar da companhia de pessoas queridas e aí, vale até um carinho para o estomãgo!
Cafezinho com pão de queijo, cafezin com biscoito, café com broa ... Vale qualquer coisa, porque em regra geral a  hospitalidade mineira requer uma mesa farta, com sabores variados, para agradar a todos que em torno dela se assentarem.
O tradicional pão de queijo, não pode faltar. E vem sempre acompanhado de um bom cafezinho!
É uma das receitas de maior sucesso por aqui, que já se espalhou até pelo exterior. Mas, o bom mineiro sabe que o preparo numa cozinha da terrinha, tem lá os seus segredos, que deixa a desejar em outros lugares e na culinária industrial.
Não há uma data ou lugar exato onde essa iguaria teria sido criada, mas sabe-se que no século XIX devido a carestia da farinha de trigo e a péssima qualidade daquela que aqui chagava para a fabricação dos pães, as cozinheiras começaram a substituir a farinha pelo polvilho ou fubá e pode ter sido esse o momento da criação da receita original. O certo é que, a partir dos anos 50-60 do século XX, o pão de queijo tornou-se popular nos centros urbanos. Provalvemente acompanhou as famílias que participaram do enorme êxodo rural naquela época.
Existem várias receitas de pão de queijo, por isso não carece de postar uma aqui. Digo apenas que o principal ingrediente não é o queijo e muito menos o polvilho. É o amor que está no coração das mãos que o amassam!