Eis que completo hoje o 12º dia de isolamento social ou quarentena voluntária. Quarentena é uma palavra que nos remete a 40, um número exato. Isolamento significa distância e não nos acusa um tempo determinado. Por isso, preferido usar o termo isolamento social para esse tempo de incertezas.
Há alguns dias pensei em escrever as minhas memórias do cotidiano desse momento conturbado pelo qual o mundo está passando. O espaço de convivência real é pequeno, um apartamento num bairro não distante do centro de Belo Horizonte, numa avenida movimentada a qual receberia nos séculos passados o nome de rua do comércio, porque de tudo um pouco se tem por aqui.
Da janela lateral vejo o movimento no quarteirão, no estacionamento de um supermercado, na farmácia, no festfood e na padaria. Muitas pessoas fora de casa. Alguns fazendo caminhada, outros indo às compras ou na direção do quarteirão dos bancos, e assim vai ...
Me preocupo por estar vendo muitos idosos entrando e saindo do supermercado. Alguns sozinhos, outros em família ... Nas várias vezes, em horários variados, que cheguei para ver a vista da janela, os vejo nessa situação de vulnerabilidade.
Hoje tive que atravessar a avenida e ir até a farmácia. Havia seis dias que eu não saia de casa. A sensação é de impotência. Não deveria, mas é o que senti. Entrei e logo me deparei com a fila escalonada numa distância de dois metros. Fora a distância de um metro entre o cliente e o funcionário do balcão ou do caixa. Para completar o "terror" necessário, estava tudo isolado com faixa amarela.
Me chamou atenção a farmacêutica estar usando máscara igual aos outros funcionários, porém sobreposta por uma de acrílico. Pensei, procedimentos necessários ... Até eu passar no caixa e ver que apesar de todo o aparato, a máquina do cartão estava envolta em plástico e todos tocavam e não havia álcool gel para higienizar as mãos depois. Necessário? Sei lá ... Nessa hora o cérebro viaja!
Aproveitei que já estava exposta e entrei no supermercado onde encontrei uma conhecida. Ela disse que no prédio dela há caso suspeito de COVID19. Preocupante ... Mas o pulo que o repositor de mercadorias deu para trás quando ouviu a fala dela, foi por demais engraçado.
E vocês, como estão percebendo o isolamento social?
#ficaemcasa #todoscontraocoronavirus






