Bom, se o centro histórico de Sabará reúne alguns monumentos... onde estão os outros que não foram demolidos pelo homem ou pelo tempo? Estão nos antigos arraiais ( hoje bairros ou distritos) submissos no século XVIII à Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabarabuçu.
Visitei o Pompéu, antigo Arraial de Santo Antônio da Mouraria do Pompéu, fundado pelo bandeirante paulista José de Pompeu, morto na Guerra dos Emboabas em 1708. Terras que passaram a pertencer ao padre Guilherme Pompéu de Almeida, proprietário de riquíssimas minas de ouro na região. É um lugar bem simples e pequeno. Há ruas mal asfaltadas que se misturam com calçamento de pedras e ruas de terra com bastante poeira vermelha da cor do minério que nos arredores se explora.
As casas são quase todas de telhados, baixas e a maioria nem muro tem. São cercadas por tela e tem portão de madeira. Uma coisa que me encanta nessas casas são os jardins com flores daquelas que não se compra mudas nas floriculturas, do tipo que se tem que pedir uma muda para os donos da casa. Não sei bem se são flores do tempo da vovó, flores da roça, flores de pobre... Entendo apenas que são raríssimas de se ver no meio urbano.
Outra coisa bacana são as hortas. Todos os quintais tem hortas com verduras bem viçosas e muitos pés de frutas, sobretudo jabuticabas.
Gosto muito da comida do restaurante Moinho D'água, por isso também estive lá. É bem caseiro, daqueles que você se serve no fogão a lenha com vasilhame simples e se senta em torno de uma mesa coberta por toalha xadrez, num piso de cimento grosso ou se preferir no quintal de terra debaixo de uma jabuticabeira ( nesta época sem frutos).
Gosto muito da comida do restaurante Moinho D'água, por isso também estive lá. É bem caseiro, daqueles que você se serve no fogão a lenha com vasilhame simples e se senta em torno de uma mesa coberta por toalha xadrez, num piso de cimento grosso ou se preferir no quintal de terra debaixo de uma jabuticabeira ( nesta época sem frutos).
Pompéu e seus restaurantes ficaram famosos pelo preparo do frango com ora-pro-nóbis. Logo que se chega no trevo que dá acesso ao bairro pela estrada que liga Sabará a Caeté avista-se com facilidade um enorme marco de cimento com os seguintes dizeres: " Benvindo a Pompéu terra do ora-pro-nóbis".
Todos os anos no mês de maio é realizado o festival gastronômico tendo a planta como rainha.
No espaço de convivência do restaurante há um moinho por onde corre uma água muito clarinha. Seguindo o curso d'água se chega a um outro restaurante e alambique, passando por outros quintais... É uma água que corre forte e faz um barulho tão gostoso de se ouvir e difícil de se encontrar nos dias atuais. Olhando o entorno, muito verde e morros, alguns vestidos de uma mata que a mim parece intocada. Salve a natureza!
Se rica fosse, faria dali minha morada, caso alguém quisesse dispor de um pedacinho do lugar, o que acho muito pouco provável ...
Se rica fosse, faria dali minha morada, caso alguém quisesse dispor de um pedacinho do lugar, o que acho muito pouco provável ...
Depois do frango com ora-pro-nóbis e outras delícias que não vou poder mostrar porque fiquei sem graça de fotografar o banquete exposto no fogão a lenha, fui dar uma volta no adro da única igrejinha do lugar, a capela de Santo Antônio do Pompéu que esteve em festa nesse final de semana.
Para fechar o passeio com chave de ouro, ao descer a ladeira direita, já quase me despedindo da capela, eis que surge uma senhorinha de lenço na cabeça, saia longa e uma blusa bem clarinha ... Escorando numa bengala ela parou, olhou, sorriu e acenou para mim. Pensei em fotografá-la e mais uma vez não tive coragem. Voltei para casa pensando que coincidências são possíveis...











