Olá!!!
A partir de hoje farei uma série de postagens, sobre uma cidade mineira bem interessante e que possui um patrimônio histórico, cultural, artístico e natural pouco divulgado e conhecido por muitos brasileiros e estrangeiros. Diamantina!!!
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| Vista geral da cidade a partir do Morro do Cruzeiro |
Há quem entenda e resuma a história da mineiração em Minas Gerais como sendo apenas o legado que pode ser visto em Ouro Preto mas, aqui temos muito mais ... e algumas são co-irmãs!
Diamantina é um município mineiro cujas origens remontam ao século XVIII e estão ligadas à exploração do ouro, encontrado nas margens do Ribeirão Grande por Jerônimo Gouveia entre 1722 e 1730, o que naturalmente provocou uma grande corrida de garimpeiros para a região e com eles foram surgindo arraiais ao longo dos cursos d'água de onde retiravam o mineral.
Dos pequenos povoados um crescimento notório se deu no Arraial do Tejuco, devido a descoberta de diamantes no local anunciada apenas em 1729, embora há mais de uma década a exploração tenha sido mantida em sigilo ... truque muito utilizado para burlar o fisco portugês na época.
A partir daí, a migração interna para a região das minas de diamantes passou a ser controlada pela coroa portuguesa com mãos de ferro. entendam que até então, não havia informação sobre a existência dessa pedra tão valiosa no Brasil.
O nome Diamantina, que é uma referência à abundancia do mineral extraído no lugar, foi usado oficialmente em 1831 quando o Arraial do Tejuco foi elevado a categoria de vila, Vila de Diamantina, se tornando cidade em 1838.
Por estar distante a 285 km de Belo Horizonte, com acesso restrito por várias décadas e geograficamente situada no que chamo de entrada para o Vale do Jequitinhonha, uma das regiões de pouco interesse econômico para os governantes, ficou um pouco esquecida como rota de turismo , embora tenha sido reconhecida como patrimônio histórico nacional em 1938.
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| Catedral da Sé e casario do século XVIII-XIX |
Entendo que somente após ter o obtido o título de patrimônio da humanidade, em 1999, passou a ser mais visitada do ponto vista turístico, embora a distância da Capital, mesmo com a atual infraestrutura para o transporte aéreo e rodoviário, ainda seja um detalhe que prejudica sua inclusão nos roteiros dos turistas estrangeiros e dos estados mais distantes. Restando aos turistas mineiros o primeiro lugar no ranking de visitação aos seus monumentos e espaços públicos.
Porém ... o custo ainda é muito alto. Penso que a falta de uma generosa produção agrícola na região e de industrias de bens de consumo contribuam muito para elevar o custo das diárias dos hotéis e das refeições em seus raros restaurantes. Resumindo: é um passeio caro! Principalmente nas épocas de Carnaval, Semana Santa e nos finais de semana quando há Vesperta.
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| Serra dos Cristais a partir de uma janela da Casa da Glória |
Percebo a cidade sendo lembrada na memória popular por três fatos ocorridos em épocas diferentes: do século XVIII há romance inusitado da ex-escrava Chica da Silva com o rico e poderoso português João Fernandes de Oliveira, que veio ao Brasil para atuar no controle da exploração e comércio dos diamantes; do século XIX o diário de memórias da menina Alice Brant Dayrell que relata sobre o cotidiano da vida na cidade nos anos de 1890, sobre o qual já falei Aqui e, do século XX por ser terra natal do presidente Juscelino Kubstichek, aquele a quem muitos apontam como modernizador do Brasil nos anos 50, mas que na sua terrinha gostava mesmo é de fazer serenata. Mas isso é conversa para outra postagem ...