domingo, 13 de novembro de 2016

A montanha, o minério e a curva do trem

Trecho da ferrovia entre Ouro Preto e Mariana em Minas Gerais.

Para nós mineiros, falar em trem é falar de qualquer coisa. O trem aqui não é só a máquina que transita pelas ferrovias. É tudo ... " me dá aquele trem aqui ", " leva esse trem daqui ", " olha aquele trem ali" e assim na linguagem popular vamos nos entendendo até que apareça alguém de fora procurando o tal do "trem".

Os passeios turísticos em ferrovias são comuns aqui na região. Hoje venho destacar aqui o trecho Ouro Preto-Mariana, construído em 1883 e restaurado em 2006 pela companhia Vale do Rio Doce que também faz o gerenciamento das ferrovias e dos passeios, por ser uma das empresas que há décadas exploram minérios em Minas Gerais e, tentando nos fazer acreditar que promovendo esses investimentos culturais de alguma forma nos recompensam pelas perdas no extrativismo mineral.

O passeio de trem tem duração de aproximadamente 40 minutos e o percurso com quatro estações - Ouro Preto, Vitorino Dias, Passagem de Mariana e Mariana - é quase todo em altitudes à beira de ribanceiras, como mostra a foto acima. 

Encravada em meio ao paredão de minério, a ferrovia tem por companhia a vegetação de cerrado. Nessa curva o turista só percebe o abismo depois que o trem por ele já passou... Registrar o medo ou susto é de praxe !!!

domingo, 30 de outubro de 2016

Mangas? Ôba!!!

 

Há dias venho percebendo que as mangueiras estão ficando coloridas. O calor facilita o amadurecimento das mangas. Essa fruta tão comum no Brasil, apesar de não ser da terra (nativa do sul e do sudeste asiáticos desde o leste da Índia até as filipinas e introduzida com sucesso no Brasil), tem gosto e cheiro que agrada muita gente.
Eu estou nesse time! Adoro mangas. Pode ser qualquer uma, mas a ubá eu deixo para o último caso. Só mesmo na falta de outra, pois além de pequena,  ela não tem linhas. 
Gosto de sentir os dentes apertados em linhas. É uma sensação de voltar ao tempo de criança, quando as mangas de supermercado eram desconhecidas e ficávamos à espera dessas deliciosas mangas caseiras que amadurecem no fundo do quintal. 
São tantas: sapatinho, espada, ubá, coração de boi, rosa, coquinho, e vários outros nomes e formas ...

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Sabará: tricentenária igrejinha de Nossa Senhora do Ó

Igreja de N S do Ó.


Informações oficiais sobre a igreja.

Casa no largo da igreja de N S do Ó - antigo conjunto habitacional de trabalhadores da extinta Cia Belgo Mineira.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Cenas do cotidiano urbano



Todos os dias elas ocupam a calçada. E nem adianta reclamar que estão atrapalhando a passagem ... Da mesma forma que aparecem, desaparecem, em segundos, feito mágica enquanto o Sol também se esconde.
São de micro mercados ao ar livre onde se encontra de tudo um pouco. Banca de biju, de doces, de roupas, CD e ... nem vou terminar a lista. Para todos os gostos e bolsos! 
E de freguês em freguês, o tempo passa e a vida segue refletindo malabarismos diante da falta de emprego.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Namoradeiras

Namoradeiras à venda numa loja de artesanato em Congonhas-MG

Com o avanço do comércio de artesanato nas cidades históricas houve a divulgação das famosas bonecas de gesso ou barro em forma de bustos de mulheres negras e mulatas utilizadas para enfeitar varandas e janelas.

Não existe uma explicação definitiva para a origem de tal costume, antes apenas das cidades do interior, nem a exatidão do seu atual alcance em terras brasileiras.Nas últimas décadas tanto a produção como o consumo tem se tornado um vício no cenário turístico. Se esse costume um dia foi mineiro, hoje já se tornou nacional.

Possuir o busto de uma figura feminina decorando uma janela, balcão ou varanda é hoje um motivo de vaidade, mas nem sempre foi assim. Há algumas décadas, uma mulher enfeitada na janela era visto como a representação da falta de recato. Consideremos que são figuras representativas de uma época na qual as moças de família "não punham o nariz para fora da janela" para arrumar namorados. Suas vestes e enfeites evidenciam esse jeito mais livre de ser.

Segundo Helena Brandão, em seu artigo Janelas da liberdade, "tais peças decorativas guardam o registro de um tempo em que as mulheres dependiam quase exclusivamente desse ambiente para ter contato com a rua [...] as mulheres brancas, pois as negras circulavam pelas ruas, eram consideradas peças e não pessoas, e as índias, selvagens.

Quando surgiram os primeiros núcleos urbanos, as mulheres se inteiravam dos acontecimentos através das frestas das varandas, muitas cobertas de muxarabiê (tipo de treliça). 

Com a saída dos muxarabiês de cena durante o Primeiro Reinado – o que contribuiu para a comercialização do vidro pelos ingleses –, as varandas, e posteriormente as sacadas, passaram a ser não apenas num posto de vigília, mas também de exposição. A mulher passava a poder ser vista.

Nesses poucos momentos, os rapazes aproveitavam para cortejar as moçoilas com a prática do “namoro do bufarinheiro” ou do “namoro do escarrinho”.A socialização promovida pela varanda entre a mulher e os rapazes que passavam na rua rendeu a este espaço a fama de ser um local inapropriado para as donzelas.

Somente a partir da segunda metade do século XX é que a varanda deixa de lado sua “má reputação”." 

Enfim, novos tempos. Novas energias e pensamentos. E não é que essas meninas são lindas!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá! Tem alguem aqui?

Depois de quase dois anos sem postar, resolvi voltar a blogar. Não sei ao certo o que me deixou distante desse meu cantinho querido. Seriam tantas as explicações e ou desculpas que prefiro dizer apenas: voltei!

Aos poucos espero receber também o retorno das inúmeras visitas que recebi aqui. Afinal, são vocês queridos amigos leitores que me ajudam a tornar vivo esse espaço. 

Pra começo de conversa quero deixar uma imagem que por si já diz metade do que eu escreveria sobre o lugar.

Imagem do altar-mor da Igreja de N S da Piedade, na Serra da Piedade, Caeté-MG

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Restauração da Igreja de São José em Belo Horizonte



Ponto de referencia no centro da capital mineira, a Igreja de São José cuja a pedra fundamental data de 1902, foi erguida no topo de um morro hoje quase despercebido devido ao disfarce na forma de uma bela escadaria que estende do adro principal até o encontro coma avenida Afonso Pena.

Ah, se essa escada falasse! Quantas coisas iria contar? Orações, protestos, Carnaval, abrigo de pedintes e tudo mais que a avenida mãe pode sediar. Quem não tem algo para contar sobre o que viu quando passou pela igreja de São José? Quantos encontros marcados? E os atalhos no quarteirão percorrendo seus jardins? Há mais de cem anos é lugar privilegiado de religiosidade, cultura, manifestações e encontros na cidade de Belo Horizonte. É muita história...

O templo religioso, que hoje é também um monumento turístico, passa por uma reforma. A parte interna está  restaurada, enquanto a parte externa passa por um minucioso trabalho de recuperação da pintura original. Trabalho sem previsão do termino.  

Então, como passei lá pelos jardins da São José, quis registrar aqui o pouco do que vi do trabalho que está sendo feito.

A parte colorida é a pintura original recuperada. Há anos uma pintura de cor única encobria a arte original.

O projeto arquitetônico do templo foi elaborado por Edgard Nascentes Coelho, e as obras foram dirigidas pelo irmão redentorista holandês Gregório Mulders. A Igreja de São José adotou o plano basilical, o interior do templo possui iluminação moderada, proveniente da sequência de vitrais coloridos. Foi construída em estilo neomanuelino e considerada um dos mais notáveis monumentos construídos na capital.
A ornamentação pictórica da igreja foi executada pelo pintor alemão Guilherme Schumacher, entre 1911 e 1912. O forro da nave central, retrata a vida de São José. 


Teto da parte central da igreja,

A matriz tem 60 metros de comprimento e 19 de largura, construída com fortes influências holandesas. A decoração do interior abriga os capitéis das belas colunas no estilo coríntio, o grandioso presbitério e um órgão de tubos fabricado em 1927. 

Aspecto interno com o altar-mor ao fundo.