sábado, 21 de janeiro de 2017

Museus, respeito ao patrimônio e acesso à história

casa de Chica da Silva
Foto tirada de uma das sacadas da casa que pertenceu a Chica da Silva (escrava que se tornou amante do contratador de diamantes a serviço da coroa portuguesa, João Fernandes de Oliveira, com quem teve treze filhos) e que hoje abriga um museu e espaço cultural. Em destaque a Serra dos Cristais e  a igreja de Nossa Senhora do Carmo. Note bem que, a torre dessa igreja foi colocada na parte de traseira, em contradição com as regras convencionais que determinam a introdução das torres na parte frontal. Segundo a lenda, foi um pedido de Chica, para que o barulho dos sinos não atrapalhassem o seu sono ...  

A imagem acima, postada nas redes sociais, com certeza despertara muitas curtidas e frases exclamativas por sua beleza. Mostra um belo casario colonial, uma igreja barroca e um espaço natural em forma de serra coberta por vegetação de cerrado. Para quem não identificou à primeira vista, trata-se de um fragmento da área urbana da cidade de Diamantina, na entrada para o Vale do Jequitinhonha, já a caminho para o norte de Minas .

No passado, a cidade que fora batizada pelos colonizadores portugueses com o nome de arraial do Tejuco, abrigou as mais valiosas minas de diamante das quais se tem notícia na história do Brasil. Algumas deram origem aos arraias e distritos do município que até hoje são visitados por aventureiros na cata da pedra reluzente. No livro Minha Vida de Menina, a autora relata sobre o hábito dos moradores  no final século XIX saírem  pelas ruas da cidade após uma forte chuva, na esperança de achar algum diamante trago pela enxurrada.

Cidades antigas como Diamantina são espaços da memória, museus a céu aberto e é visitando museus que se aprende sobre a história e a cultura. Entendo que toda cidade possui a sua história e mantém suas próprias bases culturais, dentro de um contexto maior que é o nacional. Porém, tenho sempre insistido aqui no blog em divulgar o que está à beira da extinção em Minas Gerais, que é o cenário construído nos séculos XVIII e XIX.

Segundo Cristina Ministerio* " (...) ainda tratamos mal a memória cultural do nosso país e os motivos tem suas raízes também na nossa cultura. Raras são as famílias que ensinam suas crianças a respeitara as coisas públicas; raras são as escolas que oferecem a seus alunos uma eficiente educação patrimonial. e as novas gerações seguem cometendo equívocos como: o que é público não é de ninguém, por isso não precisa ser cuidado, ou o que é antigo não serve para mais nada, por isso não precisa ser conservado."

Entender o patrimônio como um bem de interesse público e despertar  uma consciência clara do significado da  identidade cultural e da memória é uma obrigação de todos como cidadãos. Uma boa medida é o incentivo à visitação de museus, espaços públicos nas cidades, galerias de arte, participação em atividades artísticas e festejos tradicionais, dentre outras atividades.

E você, como percebe a necessidade ou não dessa interação? Você é do tipo que sente cheiro de mofo até quando se lembra dos seus professores de  História? Quero muito de saber a sua opinião.

* Editorial da revista AMAE educando, maio de 2009.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Furquim


cidades históricas de Minas Gerais


Furquim no século XVII foi um arraial de mineração do ouro nos arredores da Vila do Carmo, hoje cidade de Mariana, município do qual faz parte como distrito. Fica na região central de Minas Gerais, especificamente na área denominada de quadrilátero ferrífero ou zona metalúrgica.O nome do lugar é uma homenagem ao bandeirante paulista  Antônio Furquim da Luz, o descobridor das minas da região em 1704 e fundador do arraial do qual foi expulso pela rebeldia de forasteiros portugueses, ataques de índios, surto de doenças e fome.


É um vilarejo típico do interior. Não possui bons hotéis, restaurantes e outros confortos que o visitante mais exigente possa necessitar. O interessante de se conhecer no lugar é mesmo o estado quase pitoresco e pacato da vida que ali se pode levar.


conheça Minas Gerais


Para quem quiser fazer uma visita rápida de carro, a partir da cidade de Mariana são em torno de 28 km e partindo da capital mineira, Belo Horizonte, algo em torno de 150 km. Transporte público com horários marcados e reduzidos se consegue a partir de Mariana, mas não dá para garantir um bate e volta. Se necessitar de pouso somente encontrará duas pousadas muito simples. Normalmente nesses lugares os moradores abrem suas casas para a gente de fora que lhes parecer de confiança.

Na área central conservam-se ainda as características tipicas das povoações do século XVIII, com uma rua principal estreita e comprida, calçadas de  alvenaria em pedra  e casarões coloniais. O que se mistura à modernidade de ruas asfaltadas, tirando nesse caso, o ar bucólico e empoeirado.


Distrito de Mariana


Sobressai no conjunto a igreja matriz, de devoção ao Bom Jesus do Monte, erguida entre 1745 e início do século XIX. E uma capela dedicada a nossa Senhora do Carmo, também do século XVIII, sem a construção original completa devido a  um incêndio em  1999.


Matriz do Bom Jesus


Outros pontos interessantes do lugar são o prédio da antiga estação ferroviária datado de 1926, que funciona como centro  cultural.


Estação ferroviária


A usina hidrelétrica construída para gerar energia para a Alcan -Alumínio do Brasil,   casarões coloniais, os passos da via sacra e o cruzeiro patriarcal.



As atrações naturais são as águas dos ribeirões do Carmo e Gualaxo com suas cachoeiras. 



Há festas  tradicionais  realizadas como em todo vilarejo de origem católica aqui em Minas. 

O comércio de especiarias do local tem por base o artesanato de pedra-sabão, madeira e couro, doces em compota e cachaça.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Olaria


Quando  criança, lembro-me bem de uma olaria  em ruínas que existia de frente à casa de minha avó, no interior, numa rua empoeirada e com mais mato do que casas ao redor. Eu e meus primos brincávamos lá naquele prédio quase abandonado.

Olaria é o local onde se fabricam tijolos, telhas e manilhas de barro. Eram muito promissoras quando os tijolos de concreto ainda não existiam. Hoje, os pequenos tijolos de barro como esses da foto, são uma raridade...

Essa, eu fotografei numa estrada rural no município de Esmeraldas/MG. Fiz questão de parar  e registrar, pela sua raridade e o estilo rústico da construção!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sou grata por tantas coisas que ...





Nesse inicio de ano me reporto para as curvas que venci na estrada da vida. Algumas tão acentuadas que muitas vezes pensei que iria parar num precipício. Contudo sobrevivi e guardo para sempre todos os aprendizados que consegui extrair. Sou grata pela força e coragem que recebi de Deus para  me manter firme.

Uma coisa que me deixou muito feliz nas últimas semanas foi ter voltado a blogar, mesmo que ainda devagar. Gosto de interagir pela blogosfera e divulgar as coisinhas daqui de Minas Gerais. Para quem não me conhece, sou uma aprendiz de blogueira que gosta de falar das coisas da terra onde sempre viveu.

Enfim, esse post meio atrasado, vem celebrar a minha participação nesse projeto maravilhoso proposto pela Elaine .


domingo, 8 de janeiro de 2017

Estrada Real

 Estrada Real - trecho Diamantina- pavimentação com pedras feito por escravos.

 Estrada Real - trecho Diamantina - nos trechos acidentados para evitar deslizamentos e facilitar o escoamento da água de chuva, contruiam  escadas reforçadas com pedras.

Os caminhos do ouro, atual  Estrada Real, foram abertos nos séculos XVII-XVIII para facilitar a circulação das riquezas minerais e mercadorias que transitavam entre Minas Gerais  e o litoral do Rio de Janeiro, de onde partiam para Portugal os navios carregados de ouro e por onde entravam todos os bens materiais importados pelos ricos mineradores. 

A grande movimentação na estrada fez nascer ao longo do seu percurso inúmeras vilas, povoados e cidades. Atualmente  162 municípios  em Minas Gerais, 8 no Rio de Janeiro e 7 em São Paulo que compoem o trajeto turístico que nasceu da união de três caminhos surgidos em momentos diferentes.

O Caminho Velho foi aberto pelos  bandeirantes que em busca de riquezas em Minas Gerais, partiam de São Paulo até atingir a Serra da Mantiqueira, hoje  é o trecho mais antigo e liga Paraty a Ouro Preto. 

O Caminho Novo, do Rio de Janeiro a Ouro Preto, foi construído a pedido da Coroa por volta de 1700, não só para encurtar a distância entre Minas e o litoral do Rio, mas principalmente para facilitar a fiscalização do trânsito de riquezas . 

A Rota dos Diamantes, de Ouro Preto a Diamantina, foi construída no século XVIII para atender às necessidades da Coroa de se ter um caminho que possibilitasse um rápido escoamento dos diamantes até a metrópole. É o trecho que mais conserva o aspecto original e as tradições do interior de Minas, já que o progresso pouco andou por lá nas últimas décadas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A magia do Natal



Quando criança colocava o sapatinho na janela acreditando que Papai Noel ia deixar junto a ele pra mim, um presente de Natal! Como era bom acordar e abrir os pacotes coloridos envolvendo pequenos brinquedos que me deixavam fascinada pela quantidade. Criança gosta mais de quantidade do que qualidade.
O tempo foi passando e os pacotes aos poucos também diminuíam. Não sei bem se pela falta de dinheiro ou pelo valor daquilo que ao Papai Noel eu pedia. Por outro lado surgia a admiração pelos presépios que minha mãe ia me apresentando nas igrejas e nas casas de parentes e amigos. Quando em cidades do interior, vinha no pacote a Folia de Reis. Ah! Como eu tinha medo dos mascarados...
Tinhamos também um presépio em casa. Frequentando o Catecismo passei a entender o seu significado e me veio a responsabilidade de montar as peças a cada Natal. Coisa que faço até hoje.
Nesse tempo descobri também que Papai Noel é apenas uma fantasia criada pelo homem para vender presentes de Natal. Aprendi então que se alguém merece presente,é o menino Jesus, porque é Dele o aniversário!
Como cristã, acredito que o presente que Jesus gostaria de ganhar é  união,  paz e amor entre os homens. Então, quando me vejo refletindo sobre o Natal, penso que o momento é mágico, mas de nada valerá nossa empolgação se não trabalharmos os 365 dias do ano por um mundo melhor. Afinal, Deus nos deu a vida para sermos felizes sempre e devemos fazer de cada dia vivido um verdadeiro Natal.
Que a paz esteja com vocês meus amigos e que tenhamos sempre uma "noite feliz".


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pimenta biquinho no jardim da mamãe


Se tem uma coisa que não gosto é pimenta. Já tentei comer de várias formas, mas não agradam o meu paladar. A única excessão é a pimenta biquinho. Experimentei há uns oito anos atrás quando fui almoçar com  uma tia. Ela me ofereceu a conserva de um modo tão carinhoso que ficou difícil recusar. Gostei, porque essa não arde e nem tem cheiro forte.

Da mesa fomos para a horta, onde conheci o pé de pimenta biquinho. Por ter gostado do sabor e achado a planta muito bonitinha, trouxe mudas e sementes. Por um tempo cultivei num vaso aqui na janela do apê. Daqui minha mãe levou mudas e agora ela cultiva para nós em seu jardim.

Esse pezinho é bem novo e já está carregadinho de pimentas, prontas para serem postas em conserva!

domingo, 13 de novembro de 2016

A montanha, o minério e a curva do trem

Trecho da ferrovia entre Ouro Preto e Mariana em Minas Gerais.

Para nós mineiros, falar em trem é falar de qualquer coisa. O trem aqui não é só a máquina que transita pelas ferrovias. É tudo ... " me dá aquele trem aqui ", " leva esse trem daqui ", " olha aquele trem ali" e assim na linguagem popular vamos nos entendendo até que apareça alguém de fora procurando o tal do "trem".

Os passeios turísticos em ferrovias são comuns aqui na região. Hoje venho destacar aqui o trecho Ouro Preto-Mariana, construído em 1883 e restaurado em 2006 pela companhia Vale do Rio Doce que também faz o gerenciamento das ferrovias e dos passeios, por ser uma das empresas que há décadas exploram minérios em Minas Gerais e, tentando nos fazer acreditar que promovendo esses investimentos culturais de alguma forma nos recompensam pelas perdas no extrativismo mineral.

O passeio de trem tem duração de aproximadamente 40 minutos e o percurso com quatro estações - Ouro Preto, Vitorino Dias, Passagem de Mariana e Mariana - é quase todo em altitudes à beira de ribanceiras, como mostra a foto acima. 

Encravada em meio ao paredão de minério, a ferrovia tem por companhia a vegetação de cerrado. Nessa curva o turista só percebe o abismo depois que o trem por ele já passou... Registrar o medo ou susto é de praxe !!!

domingo, 30 de outubro de 2016

Mangas? Ôba!!!

 

Há dias venho percebendo que as mangueiras estão ficando coloridas. O calor facilita o amadurecimento das mangas. Essa fruta tão comum no Brasil, apesar de não ser da terra (nativa do sul e do sudeste asiáticos desde o leste da Índia até as filipinas e introduzida com sucesso no Brasil), tem gosto e cheiro que agrada muita gente.
Eu estou nesse time! Adoro mangas. Pode ser qualquer uma, mas a ubá eu deixo para o último caso. Só mesmo na falta de outra, pois além de pequena,  ela não tem linhas. 
Gosto de sentir os dentes apertados em linhas. É uma sensação de voltar ao tempo de criança, quando as mangas de supermercado eram desconhecidas e ficávamos à espera dessas deliciosas mangas caseiras que amadurecem no fundo do quintal. 
São tantas: sapatinho, espada, ubá, coração de boi, rosa, coquinho, e vários outros nomes e formas ...

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Sabará: tricentenária igrejinha de Nossa Senhora do Ó

Igreja de N S do Ó.


Informações oficiais sobre a igreja.

Casa no largo da igreja de N S do Ó - antigo conjunto habitacional de trabalhadores da extinta Cia Belgo Mineira.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Cenas do cotidiano urbano



Todos os dias elas ocupam a calçada. E nem adianta reclamar que estão atrapalhando a passagem ... Da mesma forma que aparecem, desaparecem, em segundos, feito mágica enquanto o Sol também se esconde.
São de micro mercados ao ar livre onde se encontra de tudo um pouco. Banca de biju, de doces, de roupas, CD e ... nem vou terminar a lista. Para todos os gostos e bolsos! 
E de freguês em freguês, o tempo passa e a vida segue refletindo malabarismos diante da falta de emprego.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Namoradeiras

Namoradeiras à venda numa loja de artesanato em Congonhas-MG

Com o avanço do comércio de artesanato nas cidades históricas houve a divulgação das famosas bonecas de gesso ou barro em forma de bustos de mulheres negras e mulatas utilizadas para enfeitar varandas e janelas.

Não existe uma explicação definitiva para a origem de tal costume, antes apenas das cidades do interior, nem a exatidão do seu atual alcance em terras brasileiras.Nas últimas décadas tanto a produção como o consumo tem se tornado um vício no cenário turístico. Se esse costume um dia foi mineiro, hoje já se tornou nacional.

Possuir o busto de uma figura feminina decorando uma janela, balcão ou varanda é hoje um motivo de vaidade, mas nem sempre foi assim. Há algumas décadas, uma mulher enfeitada na janela era visto como a representação da falta de recato. Consideremos que são figuras representativas de uma época na qual as moças de família "não punham o nariz para fora da janela" para arrumar namorados. Suas vestes e enfeites evidenciam esse jeito mais livre de ser.

Segundo Helena Brandão, em seu artigo Janelas da liberdade, "tais peças decorativas guardam o registro de um tempo em que as mulheres dependiam quase exclusivamente desse ambiente para ter contato com a rua [...] as mulheres brancas, pois as negras circulavam pelas ruas, eram consideradas peças e não pessoas, e as índias, selvagens.

Quando surgiram os primeiros núcleos urbanos, as mulheres se inteiravam dos acontecimentos através das frestas das varandas, muitas cobertas de muxarabiê (tipo de treliça). 

Com a saída dos muxarabiês de cena durante o Primeiro Reinado – o que contribuiu para a comercialização do vidro pelos ingleses –, as varandas, e posteriormente as sacadas, passaram a ser não apenas num posto de vigília, mas também de exposição. A mulher passava a poder ser vista.

Nesses poucos momentos, os rapazes aproveitavam para cortejar as moçoilas com a prática do “namoro do bufarinheiro” ou do “namoro do escarrinho”.A socialização promovida pela varanda entre a mulher e os rapazes que passavam na rua rendeu a este espaço a fama de ser um local inapropriado para as donzelas.

Somente a partir da segunda metade do século XX é que a varanda deixa de lado sua “má reputação”." 

Enfim, novos tempos. Novas energias e pensamentos. E não é que essas meninas são lindas!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá! Tem alguem aqui?

Depois de quase dois anos sem postar, resolvi voltar a blogar. Não sei ao certo o que me deixou distante desse meu cantinho querido. Seriam tantas as explicações e ou desculpas que prefiro dizer apenas: voltei!

Aos poucos espero receber também o retorno das inúmeras visitas que recebi aqui. Afinal, são vocês queridos amigos leitores que me ajudam a tornar vivo esse espaço. 

Pra começo de conversa quero deixar uma imagem que por si já diz metade do que eu escreveria sobre o lugar.

Imagem do altar-mor da Igreja de N S da Piedade, na Serra da Piedade, Caeté-MG

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Restauração da Igreja de São José em Belo Horizonte



Ponto de referencia no centro da capital mineira, a Igreja de São José cuja a pedra fundamental data de 1902, foi erguida no topo de um morro hoje quase despercebido devido ao disfarce na forma de uma bela escadaria que estende do adro principal até o encontro coma avenida Afonso Pena.

Ah, se essa escada falasse! Quantas coisas iria contar? Orações, protestos, Carnaval, abrigo de pedintes e tudo mais que a avenida mãe pode sediar. Quem não tem algo para contar sobre o que viu quando passou pela igreja de São José? Quantos encontros marcados? E os atalhos no quarteirão percorrendo seus jardins? Há mais de cem anos é lugar privilegiado de religiosidade, cultura, manifestações e encontros na cidade de Belo Horizonte. É muita história...

O templo religioso, que hoje é também um monumento turístico, passa por uma reforma. A parte interna está  restaurada, enquanto a parte externa passa por um minucioso trabalho de recuperação da pintura original. Trabalho sem previsão do termino.  

Então, como passei lá pelos jardins da São José, quis registrar aqui o pouco do que vi do trabalho que está sendo feito.

A parte colorida é a pintura original recuperada. Há anos uma pintura de cor única encobria a arte original.

O projeto arquitetônico do templo foi elaborado por Edgard Nascentes Coelho, e as obras foram dirigidas pelo irmão redentorista holandês Gregório Mulders. A Igreja de São José adotou o plano basilical, o interior do templo possui iluminação moderada, proveniente da sequência de vitrais coloridos. Foi construída em estilo neomanuelino e considerada um dos mais notáveis monumentos construídos na capital.
A ornamentação pictórica da igreja foi executada pelo pintor alemão Guilherme Schumacher, entre 1911 e 1912. O forro da nave central, retrata a vida de São José. 


Teto da parte central da igreja,

A matriz tem 60 metros de comprimento e 19 de largura, construída com fortes influências holandesas. A decoração do interior abriga os capitéis das belas colunas no estilo coríntio, o grandioso presbitério e um órgão de tubos fabricado em 1927. 

Aspecto interno com o altar-mor ao fundo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Passeio a Santa Bárbara

Distante  a 126 km de Belo Horizonte, a bucólica e setecentista cidade de Santa Bárbara, com seus 310 anos, impressiona pela calmaria em suas ruas centrais nessa era da informação e comunicação.
dos caminhos que nos levam ao município a partir de Belo Horizonte, elegi a estrada de ferro BH-Vitória.  Por ser período de férias, mesmo viajando por um percurso rápido, a sensação de estar turista por um dia não deixa a desejar.

O acesso por ferrovia dura exatamente 1 hora e 30 minutos sendo  o desembarque  na estação Dois Irmãos  no município de Barão de Cocais. A partida se dá na estação central de BH às 7 horas e 30 minutos e a  chegada às 9 horas. Quem desejar retornar de trem só poderá fazer às 18:horas e 30 minutos, horário de passagem do trem que sai de Vitória às 7 horas. Por isso, meu retorno foi rodoviário, cerca de 2 horas e 30 minutos de viagem a partir da rodoviária de Santa Bárbara.

No percurso chama a atenção o grau de depredação de nossas alterosas em função da exploração mineral ...




A estação dois irmãos é a primeira parada para embarque e desembarque do percurso BH-Vitória, de um total de 30. Não apresenta atrativos  e na infraestrutura destaco apenas o transporte coletivo para alguns referenciais turísticos da região:  Santa Bárbara, Barão de Cocais, Vila Cocais e Serra do Caraça ( a ser combinado com antecedência).

Como o meu objetivo maior nesse passeio era andar no novo trem  de passageiros disponibilizado pela Vale , optei por seguir para Santa Bárbara, considerando a facilidade de lá conseguir transporte fácil para o retorno e também por ser uma das cidades históricas mineiras que eu ainda não havia visitado.

Uma cidade pacata e bucólica, percebi desde que pisei nas calçadas centro comercial e histórico. O movimento de moradores pelas ruas era pequeno, poucos carros circulando, dos mais comuns como táxi, polícia e com som de fank (a tal ostentação) avistei apenas um de cada.  O comércio também funcionava em escala mínima tendo abertos apenas um sacolão hortifrúti, um restaurante, uma padaria e algumas farmácias.

No geral as ruas são limpas e os jardins bem cuidados. Gostei das lixeiras de ferro pesado espalhadas em pontos estratégicos da área central. O que não passa despercebido pelo visitante é o cemitério, por sua localização na avenida de maior concentração comercial e ao lado da rodoviária.
O relevo montanhoso da região não deixou de legar algumas ruas com topografia acidentadas, mas do alto todo o cansaço sede lugar aos olhares admirados com a bela paisagem.

Ladeira do Rosário

Ladeira do Rosário
Meus olhos brilharam ao observar os casarões que restaram da antiga cidade barroca, que um pouco nos revela da história do lugar através de suas riquezas em detalhes na construção, nos despertando a  curiosidade sobre o passado. Suspense que faz-me sentir na obrigação de retornar com mais tempo para observar melhor. Até porque, no domingo que lá estive o casarão que abriga o setor de informações turísticas estava fechado. Vai entender...























Grupo Escolar Afonso Pena
Visitei externamente a igreja de Nossa Senhora do Rosário, situada no alto de um morro, que quando descido termina no adro da igreja matriz de Santo Antônio. 

Igreja de  N S do Rosário
A matriz consegui visitar por dentro e observando as pinturas do teto foi fácil identificar que por ali passaram mãos de um mestre da pintura barroca, o mestre Ataíde e seus discípulos.
Além do belo estado de conservação externo, pude observar na lateral direita do pátio , alguns moradores participando de um leilão de objeto, aves domésticas e gado. Disseram-me que a atividade era parte dos festejos dedicados à comemoração do dia de São Sebastião.

Igreja Matriz de Santo Antônio
O douramento, os ornamentos e cores da nave central, altares e do altar mor são melhor explicados pela riqueza que outrora teve os moradores do lugar e pela admiração de nossos contemporâneos.










Sendo cidade natal de Afonso Pena, político influente do inicio do seculo XX que chegou ao cargo de Presidente do Brasil, nada mais obvio do que a existência de um memorial em sua homenagem no casarão onde morou sua família, com exposição de objetos pessoais, documentos de sua vida pública e os seus restos mortais transladados do Rio de Janeiro para os jardins do memorial em 2010.
Considerando que passei muito rápido pela cidade, não consegui visitar o Memorial Afonso Pena e as informações aqui citadas me foram repassadas pela proprietária do restaurante onde almocei.

O morador da Capital quando adentra cidades do interior sempre busca iguarias locais. Gosto de provar quitandas e biscoitos. Na única padaria aberta que encontrei no centro da cidade, comprei biscoitos de polvilho da roça e conversei sobre o comércio local. A proprietária me contou que antes de ser padaria o estabelecimento havia sido uma fábrica de macarrão que foi levada à falência com a expansão dos produtos da industriá alimentícia vindos do Rio de Janeiro, pois os moradores deixaram de comprar o macarrão ali produzido e passaram a consumir o moderno macarrão carioca ... Percebi uma história de luta pela sobrevivência de pequenos empresários de ascendência italiana, mas não quis levar o assunto adiante por hora.

Sobre a dinâmica dos moradores da cidade me chamou a atenção as janelas abertas voltadas para a rua e sem grades de proteção. Também o bate-papo de idosos nas varandas em casas cercadas por  grade e muro baixo. Não vi pedintes e todas as pessoas com as quais conversei me pareceram muito "boa gente".

Santa Bárbara tem uma periferia composta por trabalhadores das mineradoras e siderúrgicas que exploram minérios no município que praticamente se emenda com a periferia de Barão de Cocais. Pelo que pude investigar, o lazer na região são os banhos nas diversas cachoeiras espalhadas em seu entorno, mas isso é conversa para outra postagem.

Apesar do nome da cidade, o santo padroeiro do lugar é Santo Antônio e não Santa Bárbara. Na região parece que nem existe igreja em louvar à santa. Resta-me pesquisar para entender a razão da escolha para o nome da cidade.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Qual o meu melhor presente neste Natal ?



Era uma vez o Natal ...

Os contos de fadas atravessam a linha do tempo e chegam ao mundo contemporâneo. Assim também caminha o Natal, com sua história mater repleta de simbolismos, antes religiosos, agora em ritmos comerciais, estimulando as pessoas a pensarem, imaginarem e a expressarem seus sonhos e desejos materiais como sendo a fonte da felicidade natalina.

Sentimentos e emoções que rejuvenescem o espirito são méritos buscados por poucos. A história do menino, da manjedoura, da magia da "noite feliz" com o nascimento de Jesus, cada vez mais se distancia da realidade das pessoas e assim a tradição do "era uma vez o Natal" depositada em algumas páginas amareladas da memória humana, aos poucos perde a magia.

O mundo se revela carente de fé e as pessoas, distantes de Deus, correm ao encontro dos presentes, da mesa farta, das indumentarias luxuosas. Para comemorar o quê? O aniversário de um homem despojado de bens materiais. Por isso, não há justificativas para tanto consumismo, egoísmo e falsidade.

Não quero aqui me revelar pessimista, mas entendi após anos de observações e reflexões, que a "noite feliz" é feliz para o homem na condição de que ele seja um receptor de presentes e que a necessidade de expressão da bondade humana leva muitos nesses tempos natalinos a fazerem doações, infelizmente, na maioria das vezes, daquilo que já não lhe cabe mais poder usar, ou de coisas a serem abatidas no próximo IR, isso sem esquecer daqueles que passam os 364 dias do ano sem dizer uma palavra aos familiares, amigos, vizinhos e que ao tocar o "sino de Belém?" aproxima-se como um lobo coberto pela pele de um carneiro, a garimpar suas vantagens instantâneas.
Bom, o melhor presente de Natal para mim seria a transformação moral e espiritual da humanidade, ou pelo menos, daqueles com os quais, no cotidiano, somos levados a conviver, inclusive EU!


RCCBRASIL


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Aleijadinho : pensando em arte, história, barroco ...

“A história da arte não é apenas uma história de obras, mas também de homens. As obras de arte falam de seus autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo original que eles oferecem à história da cultura.” (Trecho da Carta do Papa João Paulo II aos Artistas – Paulinas – 1999 – pág.8)

O Aleijadinho faleceu na Freguesia de Antonio Dias em 18 de novembro de 1814, também seu local de nascimento. Na tábua que cobre a sua sepultura aos pés do altar de Nossa Senhora da Boa Morte, na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, está escrito: “ Antonio Francisco Lisboa  - O Aleijadinho -   1738 – 1814”.

Delson Gonçalves Ferreira, em seu livro “ O Aleijadinho”, na página 33 da 2ª edição, deixa em aberto a seguinte questão: Quem escreveu e com que provas?
As dúvidas existem porque não há um consenso entre os pesquisadores e as poucas provas documentais que relatam dados sobre a provável data de nascimento do escultor.

O primeiro biógrafo do Aleijadinho foi o professor Rodrigo Bretas. Seus estudos são baseados numa certidão de batismo que apresenta o nome do pai de Antonio Francisco Lisboa como sendo Manuel Francisco da Costa do Bom Sucesso, ao invés de Manuel Francisco da Costa Lisboa. Seria o sobrenome Lisboa referente ao local de onde o pai do mestre havia vindo (ou nascido) e Bom Sucesso ao local onde morava quando o filho Aleijadinho nasceu? Homônimo de pai e mãe?

A segunda suposta data de nascimento vai de encontro ao cálculo que tem por base a citada idade do escultor por ocasião de sua morte, 76 anos conforme certidão de óbito. Para ter essa idade ele teria que ter nascido em 1738. Consideremos aqui a possibilidade de um erro de informação nos registros de datas e idades pelo escrivão.

Há uma descoberta recente feita por um promotor do patrimônio que se especializou nos estudos sobre a vida e obra do artista barroco,  de outro registro de batismo com data de 1737, o qual ele afirma ser o verdadeiro. Alguns historiadores levando em consideração a data de execução da primeira obra de Aleijadinho estimam sua data de nascimento no ano de 1728.

No período colonial  não se dava muito rigor às datas, tanto que a certidão de batismo é que em via de regra determinava a data de nascimento da criança que na verdade confundia-se com a data da obtenção do sacramento. Dificilmente a criança era batizada no dia de seu nascimento. No caso de filhos bastardos e escravos a morosidade devia ser ainda maior, pois dependia da resolução de conflitos familiares e morais.

Numa sociedade escravagista, ser filho de pai  branco, com mãe negra não era coisa rara, mas o preconceito tornava difícil assumir a paternidade. No caso do Aleijadinho o fato de que a sociedade mineradora ocupava-se da busca pelo enriquecimento com a exploração do ouro, deixou que detalhes como a sua alforria e a convivência com o pai português e sua posterior formação familiar  passarem despercebidos  pela censura da sociedade.

Uma contribuição para sua aceitação social foi o seu talento para a arte barroca. Ao provar que sabia fazer o melhor para o momento e tendo o amparo profissional da Igreja Católica, das irmandades religiosas e das congregações dos carmelitas e franciscanos, passa a ser respeitado como profissional e como cidadão, dentro dos limites dos direitos reservados aos bastardos, mestiços e pobres.

A arte reconhecida hoje como patrimônio da humanidade, obra de um gênio que criou um novo estilo da arte barroca  por ele desconhecida, no século XVIII era apenas um trabalho que garantia a sobrevivência do entalhador. O trabalho de escultor, entalhador, projetista, era apenas um ofício comum que como toda profissão tinha especialistas e dentro da normalidade eram contratados por quem os podia pagar.

Como um ser mortal, Aleijadinho envelheceu e adquiriu ou desenvolveu doenças que aos poucos o levaram a óbito. Digo doenças porque não se tem um diagnóstico definido sobre a enfermidade degenerativa que rendeu-lhe o apelido. Após várias exumações, os médicos ainda oscilam entre a hanseníase e a porfiria.


A etapa de vida na qual Antonio Lisboa doente passa a ter que readaptar sua condição física com as atividades profissionais é também um momento no qual a vida política e econômica nas Minas Gerais se torna ainda mais opulenta, devido à decadência da mineração que de certa forma deve ter desestabilizado a demanda de serviços para sua equipe. Sim, equipe. O nosso gênio do barroco mineiro coordenava uma equipe de discípulos escravos.