domingo, 16 de novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Aleijadinho : pensando em arte, história, barroco ...
“A história da arte não é apenas
uma história de obras, mas também de homens. As obras de arte falam de seus
autores, dão a conhecer o seu íntimo e revelam o contributo original que eles
oferecem à história da cultura.” (Trecho da Carta do Papa João Paulo II aos
Artistas – Paulinas – 1999 – pág.8)
O Aleijadinho faleceu na
Freguesia de Antonio Dias em 18 de novembro de 1814, também seu local de nascimento.
Na tábua que cobre a sua sepultura aos pés do altar de Nossa Senhora da Boa
Morte, na matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, está escrito: “
Antonio Francisco Lisboa - O Aleijadinho
- 1738 – 1814”.
Delson Gonçalves Ferreira, em seu
livro “ O Aleijadinho”, na página 33 da 2ª edição, deixa em aberto a seguinte
questão: Quem escreveu e com que provas?
As dúvidas existem porque não há
um consenso entre os pesquisadores e as poucas provas documentais que relatam
dados sobre a provável data de nascimento do escultor.
O primeiro biógrafo do
Aleijadinho foi o professor Rodrigo Bretas. Seus estudos são baseados numa
certidão de batismo que apresenta o nome do pai de Antonio Francisco Lisboa
como sendo Manuel Francisco da Costa do Bom Sucesso, ao invés de Manuel
Francisco da Costa Lisboa. Seria o sobrenome Lisboa referente ao local de onde
o pai do mestre havia vindo (ou nascido) e Bom Sucesso ao local onde morava
quando o filho Aleijadinho nasceu? Homônimo de pai e mãe?
A segunda suposta data de
nascimento vai de encontro ao cálculo que tem por base a citada idade do
escultor por ocasião de sua morte, 76 anos conforme certidão de óbito. Para ter
essa idade ele teria que ter nascido em 1738. Consideremos aqui a possibilidade
de um erro de informação nos registros de datas e idades pelo escrivão.
Há uma descoberta recente feita
por um promotor do patrimônio que se especializou nos estudos sobre a vida e
obra do artista barroco, de outro
registro de batismo com data de 1737, o qual ele afirma ser o verdadeiro.
Alguns historiadores levando em consideração a data de execução da primeira
obra de Aleijadinho estimam sua data de nascimento no ano de 1728.
No período colonial não se dava muito rigor às datas, tanto que a
certidão de batismo é que em via de regra determinava a data de nascimento da
criança que na verdade confundia-se com a data da obtenção do sacramento.
Dificilmente a criança era batizada no dia de seu nascimento. No caso de filhos
bastardos e escravos a morosidade devia ser ainda maior, pois dependia da
resolução de conflitos familiares e morais.
Numa sociedade escravagista, ser
filho de pai branco, com mãe negra não
era coisa rara, mas o preconceito tornava difícil assumir a paternidade. No
caso do Aleijadinho o fato de que a sociedade mineradora ocupava-se da busca
pelo enriquecimento com a exploração do ouro, deixou que detalhes como a sua
alforria e a convivência com o pai português e sua posterior formação familiar passarem despercebidos pela censura da sociedade.
Uma contribuição para sua
aceitação social foi o seu talento para a arte barroca. Ao provar que sabia
fazer o melhor para o momento e tendo o amparo profissional da Igreja Católica,
das irmandades religiosas e das congregações dos carmelitas e franciscanos,
passa a ser respeitado como profissional e como cidadão, dentro dos limites dos
direitos reservados aos bastardos, mestiços e pobres.
A arte reconhecida hoje como
patrimônio da humanidade, obra de um gênio que criou um novo estilo da arte
barroca por ele desconhecida, no século
XVIII era apenas um trabalho que garantia a sobrevivência do entalhador. O
trabalho de escultor, entalhador, projetista, era apenas um ofício comum que
como toda profissão tinha especialistas e dentro da normalidade eram
contratados por quem os podia pagar.
Como um ser mortal, Aleijadinho
envelheceu e adquiriu ou desenvolveu doenças que aos poucos o levaram a óbito.
Digo doenças porque não se tem um diagnóstico definido sobre a enfermidade
degenerativa que rendeu-lhe o apelido. Após várias exumações, os médicos ainda
oscilam entre a hanseníase e a porfiria.
A etapa de vida na qual Antonio
Lisboa doente passa a ter que readaptar sua condição física com as atividades
profissionais é também um momento no qual a vida política e econômica nas Minas
Gerais se torna ainda mais opulenta, devido à decadência da mineração que de
certa forma deve ter desestabilizado a demanda de serviços para sua equipe.
Sim, equipe. O nosso gênio do barroco mineiro coordenava uma equipe de discípulos
escravos.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Blogagem coletiva "Delicadezas de Deus"
Normalmente não costumo postar blogagem coletiva nesse espaço, mas essa é um caso E-S-P-E-C-I-A-L !
Eis-me aqui, uma convidada com certo atraso para a festa. Cheguei no final. Vim correndo para trazer os meus votos de felicidades, paz, amor e muito sucesso! Sim, sucesso!!! São cinco anos de delicadezas à base do amor de Deus e, portanto, nem dá para pensar em outra coisa que não seja o sucesso com as bençãos do Criador.
As delicadezas de Deus estão em toda parte. A nossa presença aqui nessa postagem, da que escreve e dos leitores, é uma delicadeza Dele.
Parabéns a você Rosélia, pelo empenho, sabedoria e dedicação ao BLOG ! Que muitos outros aniversários possam ser comemorados e que eu consiga estar novamente junto aos seus convidados!
Abraços fraternos.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Quem conhece jatobá nem sempre gosta...
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| Foto de frutos do jatobazeiro existente de frente à capela de Santana no Arraial Velho, Sabará. |
O jatobá é uma fruta típica do cerrado, portanto, de Minas Gerais, embora seja encontrada em quase todo o Brasil.
O jatobazeiro é uma árvore de médio porte da família das leguminosas. O fruto de sabor e aparência mística é produzido de julho a dezembro. Para os indígenas o jatobá é uma fruta com poderes de equilíbrio mental e algumas tribos fazem o uso da fruta antes de realizar suas meditações.
O fruto tem uma casaca muito dura, de cor escura e por dentro possui sementes envoltas numa polpa que se apresenta em forma de farinha com coloração amarelo claro.
Há quem não o aprecie pelo gosto "de pó" e pelo cheiro forte, mas sem dúvida é um fruto exótico!
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| fonte: nutricaoemfoco |
sábado, 21 de junho de 2014
Na terra de Minas, a Copa 2014.
| Mineirão no jogo Bélgica X Argélia |
Olá pessoas queridas que sempre me prestigiam com uma visita! Sei que ando um tanto quanto sumida. Não, não há problemas além da falta de inspiração.
Bom, Copa é motivo de confraternização e alegria, portanto venho aqui falar de coisas boas, do lado positivo do evento que tem a nossa cidade como um dos palcos.
A principio confesso que estive muito resistente à ideia de ficar ou não por aqui durante esse período. Quis correr do movimento que na verdade imaginava que seria uma bagunça. Com o tempo fui me convencendo de que deveria ficar e enfrentar o desafio de habitar uma cidade em festa. E que festa!
De repente chegou a hora. Delegações e torcedores começaram a chegar... Os colombianos com suas camisas amarelas, engrossaram a mensagem nas ruas de que a Copa é no Brasil. E começa a abertura, o jogo, as emoções, e o desejo de estar lá no meio da torcida vibrando pelo meu time ou simplesmente compartilhando com outros povos a alegria de ser brasileira!
E assim, o que era temido passou a ser querido. Tive a oportunidade de estar no estádio no jogo da Bélgica X Argélia. Independente do resultado, que povo alegre e amistoso são os argelinos! País de seleção sem muitas chances, mas de milhares de torcedores que apostaram também na vantagem de conhecer um país tão caloroso como é o Brasil. Já os belgas, com sua torcida reduzida, não deixaram por menos a sua bravura e acreditaram até o fim.
Fato interessante nesse jogo foi a presença de um moçambicano que torcia pela Argélia e vibrava gritando o nome de seu país.
Perguntei a ele: Por que veio para Copa se o seu país está fora da competição?
Ele me respondeu: Sim, Moçambique não foi classificado, mas eu vim torcer pela África. Vou aos jogos de países africanos e quando forem eliminados fico torcendo pela Ásia, América, para alguém que derrube a Europa.
Nada respondi, pois compreendi sua mensagem política, econômica, social e etc.
Hoje temos "los hermanos ", gente alegre até demais, que não se deixam abater por estar no país rival. Que invadem as ruas, causam problemas (já previstos), tomam toda a cerveja e comem todo o churrasco que lhes aparece a frente.
Goleada? Não tiveram. Graças aos nossos amigos iranianos. Sim, porque os brasileiros que estiveram no Mineirão hoje, engrossaram a discreta torcida do irão...
domingo, 23 de março de 2014
Marolo, araticum ou bruto?
Tanto faz! São nomes populares para o fruto de uma árvore típica do cerrado ( Annona Crassiflora ) que chega a medir até 8 metros de altura por 4 de copa. Caracteriza-se por ter o tronco retorcido, casca grossa e fissuras, com raízes muito profundas para alcançar o lençol freático.
O araticum tem aparência grosseira, é cheio de escamas, de cor nos tons entre o amarelo e o marrom, formato globular e quando maduro começa a se abrir dos pólos para o centro exalando um aroma que se identifica ao longe.
Não necessita ser cultivado, salvo para garantir a preservação da espécie um tanto quanto ameaçada pela devastação humana. Nasce nos campos de cerrado e a sua colheita é natural... cai do pé e é coletado pelos apreciadores e principalmente pelos vendedores de beira de estrada.
Não necessita ser cultivado, salvo para garantir a preservação da espécie um tanto quanto ameaçada pela devastação humana. Nasce nos campos de cerrado e a sua colheita é natural... cai do pé e é coletado pelos apreciadores e principalmente pelos vendedores de beira de estrada.
O marolo possui uma farta polpa que varia de coloração do branco ao laranja. O gosto é adocicado. Como inconveniente trás apenas um enorme número de sementes em seus favos, que se analisados pelo lado bom, impõem uma degustação lenta e muito mais saborosa. O fruto pode chegar a pesar até 4,5 kg.
É uma fruta comestível, que pode ser usada para fazer doces, geleias, sorvetes ...
É uma fruta comestível, que pode ser usada para fazer doces, geleias, sorvetes ...
O araticum é nativo no centro e sul de Minas Gerais, em Goiás, no Mato Grosso e na Bahia. O que não impede sua existência em outras regiões do Brasil. Há cidades mineiras que fazem festa para comemorar a produção local, incentivando a produção de receitas típicas, como é o caso de Paraguaçu.
Serve para matar a fome! Segundo Guimarães Rosa, no seu Grande sertão: veredas, " Assim que a matolagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado."
Serve para matar a fome! Segundo Guimarães Rosa, no seu Grande sertão: veredas, " Assim que a matolagem desmereceu em acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha araticum maduro no cerrado."
sexta-feira, 14 de março de 2014
Cartão-postal: uma forma de compartilhar imagens e notícias
Diferente, por ser enviado sem envelope, o cartão-postal surgiu no Império Austro-Húngaro em 1869 e pelo seu encanto foi facilmente difundido por toda a Europa ainda no século XIX.
O sucesso se deu por ser uma inovadora forma de compartilhar imagens e notícias. O cartão ilustra o cotidiano e o desenvolvimento das cidades. Portanto, a imagem nele retratada é fonte de informação sobre o presente e o passado do lugar em evidência e, com o passar dos anos se torna um testemunho do seu tempo.
É inegável o seu valor histórico enquanto documento que registra o espaço geográfico e suas transformações.
Há de se falar também do valor sentimental exposto na mensagem daquele que o envia, compartilhando o lugar onde certamente desfruta de momentos agradáveis. Desconheço a existência de alguma mensagem negativa enviada através de um cartão-postal.
Belo Horizonte é uma cidade jovem, mas as imagens postais daqui nos mostram o quanto os espaços foram modificados nas últimas décadas.
| Lagoa da Pampulha - BH nos anos 50-60. |
Vejamos o caso da orla da lagoa da Pampulha pela imagem desse cartão postal dos anos 50-60 do século XX. Não existe ainda a avenida Otacílio Negrão de Lima, as casas de frente para a lagoa ainda não haviam tomado conta do espaço usado para os jardins e a água não era poluída favorecendo passeios de barcos. Transito pesado? Inexistente.
| Floristas na rua Rio de Janeiro/Praça Sete - BH |
A praça "Sete" no centro da cidade, quarteirão da rua Rio de Janeiro, usado pelas floristas artesãs. Hoje está totalmente modificado, sem a maioria das árvores e sem as floristas... Observe que até os trajes usados pelas pessoas são de um tempo distante, tanto nos modelos quanto nas cores. São os anos 70!
| Vista aérea da praça da Liberdade, década de 70/80 - BH |
A praça da Liberdade no bairro Funcionários. Notem que no entorno da praça não há edifícios gigantescos. Hoje? As casas foram demolidas e cederam lugar a um mar de prédios. E o pior, a maioria das casas eram da época da fundação da cidade. O nome do bairro já anuncia: Funcionários! As moradias foram construídas para os funcionários do Governo quando a Capital foi transferida de Ouro Preto para Belo Horizonte.
| Vista aérea da do centro de BH com a Serra do Curral ao fundo. |
Do centro da cidade nos anos 80 avistava-se a Serra do Curral, semi preservada, sem os bairros luxuosos que hoje quase cobrem o topo, e sem os estragos deixados pela mineradoras que ao longo de décadas ali se instalaram.
| Aeroporto Internacional de Confins, região metropolitana de BH. |
O recém inaugurado Aeroporto de Confins, em 1984. Quase inativo durante décadas, hoje é utilizado por milhares de viajantes e tem sua área externa e kms a distância urbanizados.
| Bh Shopping na época de sua inauguração |
O primeiro shopping de Belo Horizonte, denominado de "BH Shopping", inaugurado em 12 de setembro de 1979, num espaço deserto em plena Serra do Curral, na divisa com a cidade de Nova Lima e com 128 lojas. Atualmente possui quatro andares, 400 lojas e o seu entorno está hiper urbanizado e habitado por ter sido alvo de especulação imobiliária nos anos 90.
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